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Usinas Termoelétricas e a Crise no Setor Elétrico Brasileiro pela COVID-19

Atualizado: Jul 20

O setor de energia no Brasil (e no mundo) foi duramente atingido pelo impacto da COVID-19. A quarentena – indispensável para reduzir a expansão exponencial da população afetada – levou à paralização de parte da atividade produtiva, resultando em milhões de novos desempregados, na redução dramática do transporte e consequentemente do consumo de energia.

Uma das evidências obvias deste impacto é a violenta queda do custo do barril de petróleo e a reorganização deste setor que abandonou seus planos de expansão até que a atividade econômica se recupere, o que não ocorrerá antes de 5 a 7 anos.

Esta é uma crise sem precedentes – exceto pela grande depressão dos anos 30, quase 100 anos atrás – mas também uma oportunidade para reorganizar o setor em bases mais resilientes e mais alinhados com os objetivos de um desenvolvimento sustentável, entre os quais a redução das emissões de gases de efeito estufa e outros poluentes de caráter local. Entre eles tem prioridade o abandono da geração de eletricidade utilizando carvão na região Sul do país, onde estão as plantas mais antigas dessa fonte.


A matriz de geração de eletricidade no Brasil é predominantemente hidroelétrica (63,2%), seguida por térmicas (24,9%), eólica (9,1%), solar (1,7%) e nuclear (1,2%).




As usinas que usam carvão mineral representam cerca de 12% da capacidade instalada em geração térmica, sendo particularmente poluentes.

O PDE 2029 elaborado antes da crise do COVID-19 já previa a desativação de térmicas a carvão, juntamente a outras movidas a combustíveis fósseis, por razões técnicas, econômicas e contratuais. As térmicas movidas a óleo diesel, óleo combustível e gás natural não tem motivos para serem acionadas no quadro atual de sobreoferta. Entretanto, as de carvão continuam gerando para o sistema interligado nacional (SIN).

O que se propõe no relatório é a antecipação da desativação destas usinas geradoras e da mineração do carvão que atualmente as abastece. A desativação antecipada é também proposta para outras usinas a combustíveis fósseis, já previstas para serem retiradas do sistema elétrico ao longo da presente década.



A manutenção em produção destas usinas consumiu R$0,7 bilhão em 2019 em subsídios a título de “queima de carvão nacional”. Esses subsídios anuais foram iniciados em 1973 e incorporados à CDE (conta de desenvolvimento energético) em 2002, sempre em valores atualizados de mais de R$1 bilhão por ano, que tem sido reiterados há décadas e cuja eliminação vem sendo adiada, apesar da baixa eficiência das usinas e dos problemas ambientais caudados por elas.


Portanto, o uso desses recursos da CDE para a antecipação do seu fechamento, abre espaço para outros empreendimentos que utilizarão a mão de obra afetada pela desativação (cerca de 6 mil trabalhadores), incluindo o descomissionamento das áreas degradadas pela mineração e sua remediação.

Professor José Goldemberg

Universidade de São Paulo

Roberto Kishinami

Instituto Clima e Sociedade

(Julho de 2020)


Este texto foi extraído da apresentação do estudo. Faça o download da publicação aqui!

WEBINAR DE LANÇAMENTO DO ESTUDO

O baixo desempenho econômico dos últimos anos e, também, a brusca queda na atividade econômica decorrente da pandemia de COVID-19 geraram uma sobreoferta de energia elétrica no Brasil. Ao mesmo tempo, temos uma série de usinas térmicas programadas para serem desativadas nos próximos 10 anos. É possível aproveitar a oportunidade da sobreoferta para adiantar o descomissionamento destas térmicas? Qual seriam os benefícios? Quais as dificuldades que precisam ser superadas? Enquanto isso, o Congresso discute medidas temporárias e emergenciais destinadas ao setor elétrico em razão da pandemia de coronavírus e o processo de modernização setorial. O IDEC e o iCS realizaram, com apoio do ClimaInfo, este webinar no último dia 14 de julho para debater os temas. O encontro online contou com a presença de deputados. Assista!

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