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O crescimento brasileiro está no baixo carbono

Estudo liderado pelo WRI-Brasil mostra que a adoção de medidas no Brasil para uma transição de baixo carbono renderia aumento adicional de R$ 2,8 trilhões no PIB em 10 anos e criação 2 milhões de novos empregos

Até agora, mais de 100 mil vidas foram perdidas no Brasil em função da pandemia do novo Coronavirus. Assim como mitigar e adaptar às mudanças climáticas significa salvar vidas, as ações para resgatar a economia do Brasil e combater a desigualdade também, explica neste artigo Carolina Genin, Diretora do Programa de Clima do WRI-Brasil e uma das autoras do recém-lançado estudo “Uma Nova Economia para uma Nova Era: Elementos para a construção de uma economia mais eficiente e resiliente para o Brasil”. O documento é fruto da iniciativa Nova Economia do Brasil, construção do WRI Brasil em parceria com economistas e especialistas de instituições (como a COPPE-UFRJ, CPI, Ipea, Febraban, PUC-Rio, CEBDS e iniciativa New Climate Economy) para responder a perguntas como: o Brasil deveria priorizar a transição para uma economia de baixo carbono, ou seja, adotar tecnologias e infraestruturas com menor emissão de gases de efeito estufa e mais modernas e resilientes a climáticos extremos, na próxima década? Se sim, como chegar lá?


A resposta é positiva. O estudo comprova que buscar a economia verde fará o Brasil crescer mais em 10 anos do que com o atual modelo de desenvolvimento: as alternativas de baixo carbono renderiam um aumento adicional de R$ 2,8 trilhões até 2030 no PIB nacional, equivalente a um ano de PIB da Bélgica ou Argentina. Seriam 2 milhões de empregos a mais, principalmente no setor de indústria e serviços. O caminho para fazer isso não precisa ser disruptivo; basta começar priorizando três setores em que boas práticas estão disponíveis e prontas para ganhar escala: Infraestrutura de qualidade, inovação industrial e agricultura sustentável. Neste último ponto, aliás, uma análise inédita do estudo mostrou que a recuperação de 12 milhões de hectares de áreas degradadas pode gerar R$ 19 bilhões em dez anos de retorno de investimento, além de uma arrecadação de R$ 742 milhões.

O trabalho se desenvolve em duas partes complementares. Na primeira, utiliza extensa revisão bibliográfica e analisa os benefícios e oportunidades. Na segunda, baseia-se em uma modelagem econômica para apresentar novos resultados macroeconômicos e de longo prazo após a adoção de medidas associadas à transição para uma economia de baixo carbono. Caso o Brasil faça isso, pode se alinhar e se beneficiar das tendências dos mercados financeiros e ampliar o acesso ao financiamento privado. Confira o estudo completo e veja também uma entrevista super interessante da Carolina Genin no Coalizão Brasil.



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