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Tempestade no Rio: autoridades ainda não entenderam que clima do país mudou

Governos precisam adotar medidas de adaptação, avalia o Observatório do Clima


Fotos: Paulo Jacob/ Agência Globo


O Observatório do Clima se solidariza com a população do Rio de Janeiro, em especial com os parentes e amigos das vítimas do temporal que despencou sobre a cidade entre a noite de segunda (8) e terça-feira (9), deixando, ao menos, dez pessoas mortas.


Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Em alguns bairros, choveu em quatro horas mais de uma vez e meia o esperado para o mês inteiro, segundo a Climatempo. De acordo com medições do Cemaden (Centro de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais), em duas estações da cidade a chuva acumulada em 24 horas passou de 300 milímetros. É quase o triplo da média para o mês.


Este é o terceiro episódio de chuva extrema no Rio apenas este ano. Entre 6 e 7 de fevereiro, sete pessoas morreram num temporal também atípico, mas mais leve que o deste outono. Entre as razões do grande volume de água fora de época, segundo os meteorologistas, está o aquecimento anormal das águas do Atlântico no litoral do Sudeste, que também nos brindou com a tempestade tropical Iba, no mês passado. Ainda na semana passada, quatro pessoas morreram no Piauí após tempestades.


Todos esses extremos climáticos, cada vez mais graves e frequentes, mostram que o clima do Brasil mudou e atingiu um novo normal, em que o que era raro ficou comum. Autoridades como o prefeito do Rio, Marcelo Crivella (PRB), parecem ainda não ter entendido isso, e seguem atribuindo desastres a “condições atípicas” do tempo. No governo federal, luminares como os ministros do Meio Ambiente, Ricardo Salles (Novo-SP) e das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, insistem em que a mudança climática é uma mera discussão acadêmica ou uma conspiração esquerdista.
Foto: Mauro Pimentel/AFP

Passa da hora de os representantes eleitos dos brasileiros de tergiversar sobre o tempo. A adaptação às mudanças climáticas é urgente para salvar vidas e proteger patrimônio. Deixar gente morrer em decorrência do clima por situações evitáveis é, cada vez mais, dolo eventual.


Esse texto foi originalmente publicado no site do Observatório do Clima, no dia 9 de abril de 2019.

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