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Relatório Anual de Desmatamento 2019

Atualizado: Jun 17

Relatório inédito do MapBiomas Alerta analisa todos os alertas de desmatamento no Brasil emitidos por três sistemas em 2019 e comprova: mais de 99% da supressão de vegetação é ilegal.



É inédito: pela primeira vez um único levantamento no país analisou e consolidou os dados de todos os alertas de desmatamento do território nacional. A conclusão preocupa, uma vez que o Brasil perdeu de vegetação nativa em 2019 o equivalente a oito vezes a área ocupada pelo município de São Paulo, ou 1.218.708 hectares (12.187 km²). Os dados estão disponíveis no “Relatório Anual de Desmatamento 2019”, realizado pelo MapBiomas, iniciativa multi-institucional que envolve universidades, ONGs e empresas de tecnologias para desenvolver um sistema de validação e refinamento de alertas de desmatamento, degradação e regeneração de vegetação nativa com imagens de alta resolução.


Ao todo, o estudo identificou, validou e refinou 56.867 alertas gerados pelo DETER (Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real do INPE nos biomas Amazônia e Cerrado), SAD (Sistema de Alerta de Desmatamento do Imazon, na Amazônia) e GLAD (Global Land Analysis and Discovery da Universidade de Maryland nos demais biomas). Destes, mais de 99% (correspondendo a 96% da área total) não possuem autorização de supressão de vegetação nativa cadastrada no SINAFLOR – Sistema Nacional de Controle de Origem de Produtos Florestais. Em outras palavras, são ilegais.



A Amazônia, como era de se esperar, tem o maior número de alertas – 83%, correspondentes a 63,2% da área total de desmatamento, seguida pelo Cerrado, com 13% dos alertas, porém 33,5% da área. Juntos, esses dois biomas, que são os mais bem monitorados no Brasil, representam 96,7% da área desmatada detectada em 2019. O ranking se completa com Pantanal (1,35% da área total), Caatinga (1%), Mata Atlântica (0,87%) e Pampa (0,05%), embora o número de alertas e áreas identificadas pelo relatório nestes biomas constitua um valor conservador que pode subestimar a área total desmatada, uma vez que os dados do GLAD são globais e não têm adaptação para condições específicas.


Outro ponto de ineditismo na metodologia utilizada é a possibilidade de mensurar a velocidade do desmatamento em uma dimensão nunca antes vista. Não por outro motivo foi viável detectar que situa-se no município de Jaborandi (BA) a área mais rapidamente desmatada em 2019 – foram 1.148 hectares suprimidos entre 8 e 27 de maio, uma média de 60 hectares por dia. Já em termos de tamanho do desmatamento, a maior está em Altamira, no Pará, quando 4.551 hectares de floresta amazônica foram derrubados em um único evento.


O MapBiomas Alerta produziu mais de 76 mil laudos com análises de cada alerta, incluindo sobreposições com diferentes recortes territoriais e atualizações. Tasso Azevedo, coordenador da iniciativa, informa que todos estão disponíveis gratuitamente e podem ser utilizados pelos órgãos públicos e privados.


Confira este super relatório na íntegra.


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