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Plano de Ação em Gênero da ONU

Como "tropicalizar" o Plano para a agenda doméstica? Como o nosso país pode incorporá-lo à sua ação climática? O painel realizado na Conferência Brasileira de Mudança do Clima (CBMC) nos convida à reflexão com foco na implementação e ampliação de soluções climáticas justas, sob a perspectiva interseccional.


Por Andréia Coutinho Louback


Por que falar da agenda de clima sob a perspectiva da lente de gênero? No último Especial Gênero e Clima que publicamos, já mostramos esta imagem abaixo por aqui. Ela é um registro muito emblemático da COP21, em 2015, que celebrou o Acordo de Paris.

Crédito: ONU

Entre as delegações oficiais dos países na COP21, havia mais de 12 mil homens registrados, e apenas 5,9 mil mulheres. Ou seja, as mulheres eram menos de um terço entre os negociadores. Também eram minoria (43%) entre os quase 8 mil observadores das negociações, que são os membros da sociedade civil que podiam acompanhar as reuniões. Ou seja: a tomada de decisões estava completamente desequilibrada. Os dados foram divulgados pela Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima (UNFCCC).


Quase cinco anos depois, estamos aqui, e a comunidade climática ainda reflete uma crise de representatividade, equidade e participação em processos decisórios. Atualmente, temos muitas problemáticas no que diz respeito à sub-representação das mulheres em um campo que é majoritariamente e tradicionalmente masculino. E acreditamos que, ao mapear os problemas, barreiras e obstáculos já tão naturalizados no que tange à participação feminina na agenda do clima, caminhamos mais um passo para traçar estratégias assertivas e superar as desigualdades que estruturam raça, gênero e classe na sociedade brasileira. Aliás, partimos do entendimento de que impactos climáticos tem cor, gênero e lugar social.



Este painel, realizado no dia 28 de julho, na Conferência Brasileira de Mudança do Clima (CBMC), foi uma iniciativa do grupo de trabalho de gênero do Observatório do Clima. O OC é uma rede formada por aproximadamente 50 organizações da sociedade civil, que tem se dedicado a traçar uma estratégia de ação com potencial de transformar a atual conjuntura. O objetivo desse grupo é a construção e implementação de ações climáticas sensíveis ao gênero que contemplem a cultura e a história do Brasil. A meta, como coletivo e movimento, é fortalecer essa relação clima-gênero não somente dentro da rede, mas sobretudo no diálogo com outras organizações.


ALGUNS DADOS


Um relatório internacional da ONU Mulheres divulgado esse ano mostrou que 1) 67% das posições de tomada decisão são ocupadas por homens no âmbito da Convenção sobre o Clima, o Protocolo de Kyoto e o Acordo de Paris; 2) Aliás, é bem comum nos depararmos com materiais de divulgação que só contam com imagens de porta-vozes homens brancos pautando decisões sobre o futuro na construção de soluções para a crise climática; 3) há diferentes tipos de vulnerabilidades que tornam a mudança climática uma ameaça única para as mulheres, como – as vulnerabilidades biológicas, fisiológicas, culturais e sociais, que variam entre as regiões. Por exemplo, como vimos na apresentação da pesquisadora Gabriela Couto em nosso último webinar sobre o tema, em 1991, Bangladesh registrou 91% na taxa de mortalidade de mulheres no ciclone que passou no país. Após o tsunami do oceano índico, em 2004, 70% da mortalidade de mulheres foi registrada.


Ou seja: são só alguns exemplos que mostram que a luta pela estabilização do clima será sempre incompleta sem uma perspectiva baseada em gênero. O painel realizado nos convida à reflexão sobre a adoção de um Plano de Ação em Gênero. O Plano aborda várias problemáticas, com foco na implementação e ampliação de soluções climáticas justas, sob a perspectiva interseccional. Como "tropicalizar", então, o Plano para a agenda doméstica? Como o nosso país pode incorporá-lo à sua ação climática? Felizmente, o painel nos trouxe algumas possibilidades e respostas! Confira!


PALESTRANTES


Karina Penha, é bióloga e ativista socioambiental. Atualmente é articuladora da organização Engajamundo, onde coordenou o grupo de trabalho sobre clima;

Isadora Cardoso, cientista política e coordenadora de projetos da Gender CC – Women for Climate Justice na Alemanha;

Leide Aquino, atvista e extrativista da Reserva Chico Mendes e coordenadora do Fórum de Mulheres da Região do Alto Acre


MEDIAÇÃO E APRESENTAÇÃO

Andréia Coutinho Louback, jornalista e coordenadora de comunicação do Instituto Clima e Sociedade (iCS)



Assista e compartilhe com a sua rede!

O Plano de Ação em Gênero está disponível no site da UNFCCC em cinco línguas: https://unfccc.int/documents/204536

Quer participar do GT de Gênero do Observatório do Clima? Envie um e-mail para Nara Perobelli: nara.ext@imaflora.org

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