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PESQUISA INÉDITA APRESENTA IMPACTOS DA MUDANÇA DO CLIMA E AS DESIGUALDADES NA CIDADE DE BOA VISTA



Boa Vista, capital de Roraima, apresenta determinante étnico-racial e de gênero no ordenamento territorial frente as dimensões das mudanças do clima. É o que constata a pesquisa do Projeto Amazônia Legal Urbana – Análises Socioespaciais de Mudanças Climáticas Ano 2. Nesta quarta-feira, dia 15, aconteceu o webinário “Mudanças Climáticas na Amazônia Legal Urbana: Boa Vista (Roraima)” em seu canal no YouTube, com o lançamento do Caderno Iyaleta vol. 01 “Desigualdades étnico-raciais e de gênero e os impactos das mudanças climáticas no espaço urbano de Boa Vista”, um estudo sobre o contexto territorial, demográfico, físico e ambiental, que traz análises sobre desigualdades raciais, étnicas e de gênero no ordenamento territorial de Boa Vista.


A pesquisa é realizada pela confluência de pesquisadoras IYALETA - Pesquisa, Ciência e Humanidades, em parceria com o Instituto Mídia Étnica (IME) e com apoio institucional do Instituto Clima e Sociedade (iCS).


A pesquisa revela que em 2010, no Brasil, a proporção da população urbana em condições precárias era de 41,40%, já́ nas unidades federativas da Amazônia Legal, Roraima era o estado com o menor percentual (59%) e o Amapá apresentou a pior situação (88,5%). E o Plano Diretor (2006) está completamente obsoleto e não atende as condições de vida da população urbana municipal no que se refere às ações de mitigação e adaptação. O Plano não apresenta estratégias de gestão ambiental e climática para um município localizado numa bacia hidrográfica com períodos de longa concentração de chuvas (entre abril e setembro) e de longa estiagem (entre outubro a março). E se revela em desigualdades para população Negra e Indígena no acesso inadequado ao esgotamento sanitário, com maior número de usuárias de fossa rudimentar e o descarte de dejetos no mar, rio e lagos, as mulheres Indígenas (50,15%) e Negras (45,61%).


A pesquisa de Boa Vista está disponível no website “www.amazonialegalurbana.com.


Sobre a pesquisa de Boa Vista - Roraima

O estudo aprofunda a reflexão sobre desigualdades raciais, étnicas, de gênero e as intersecções, e como os eventos climáticos na área urbana de Boa Vista (Roraima) precisam ser enfrentados por políticas de adaptação que efetivam direitos humanos considerando a vulnerabilidade territorial, social, econômica e ambiental, pela urbanização desigual na Amazônia Legal. Para tal, fez-se um levantamento de documentos públicos e dados administrativos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística e dos sistemas de informação em saúde do DATASUS, visando a análise socioeconômica, epidemiológica e do ordenamento territorial da capital. Os resultados apontam um cenário desfavorável nas condições de saneamento básico e moradia da população Negra e Indígena, em particular das mulheres, que se reflete nos piores indicadores de saúde e na incidência de arboviroses, como Zika, Dengue e Chikungunya, a capital também apresenta uma precária cobertura da Estratégia Saúde da Família e Visitas de agentes de endemias. Desigualdades que refletem o Plano Diretor (2006) distante das condições de vida da população urbana e climáticas do território municipal impactado por períodos concentrados de chuvas e de longa estiagem.


Sobre as Pesquisadoras líderes do estudo


Andrêa Ferreira - pesquisadora Pós-Doc (CIDACS/Fiocruz/Bahia). Doutora em Saúde Pública pelo Instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Mestra em Nutrição, Alimentos e Saúde e Nutricionista pela Escola de Nutrição da Universidade Federal da Bahia. Pesquisadora IYALETA – Pesquisa, Ciência e Humanidades.

Emanuelle Góes - pesquisadora Pós-Doc (CIDACS/Fiocruz/Bahia). Doutora em Saúde Pública com concentração em Epidemiologia (ISC/UFBA) defendendo a tese sobre Racismo e Aborto. Realizou Estágio Sanduíche na Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação (Universidade do Porto). Mestra em Enfermagem pela Universidade Federal da Bahia. Pesquisadora IYALETA – Pesquisa, Ciência e Humanidades.

Diosmar Filho - geógrafo, doutorando na Universidade Federal Fluminense (UFF). Mestre em Geografia pela Universidade Federal da Bahia (UFBA). Pesquisador Associado a Associação Brasileira de Pesquisadores/as Negros/as (ABPN). Pesquisador IYALETA – Pesquisa, Ciência e Humanidades.


Este é o sexto estudo do Projeto Amazonia Legal Urbano desde outubro de 2020, foram pesquisadas as cidades de Belém (no Pará), seguindo por Macapá (Amapá), Manaus (Amazonas), São Luís (Maranhão), Rio Branco (Acre). Todas as pesquisas estão disponíveis em Paper para download no website e tem como objeto contribuir com revisão/elaboração de Planos Diretor Urbano e políticas públicas de adaptação as mudanças climáticas no espaço urbano da Amazônia Legal.