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Congresso precisa ter eficiência e energia

É essencial ratificar a Emenda Kigali, que incentiva a troca de técnicas obsoletas por outras que reduzam o consumo de eletricidade


Por Suely Carvalho

Em todo o planeta milhões têm ido às ruas pelo clima, e os representantes do povo vêm se mostrando sensíveis a este clamor. Em setembro, o Parlamento Europeu declarou “emergência climática e ambiental”. Na Conferência do Clima da ONU (COP-25), em Madri, a presidente da Câmara dos Estados Unidos, Nancy Pelosi, reafirmou o apoio dos americanos ao Acordo de Paris — mesmo que o presidente Trump tenha tirado o país do tratado. No Brasil, segundo o Datafolha, 85% da população acreditam que a temperatura está subindo e 72% concordam que somos os responsáveis. O Congresso Nacional poderia provar que está em sintonia com a população ratificando a Emenda de Kigali.


Este adendo de 2016 ao Protocolo de Montreal entrou em vigor em 2019. Até agora 89 países ratificaram. O texto determina a queda no consumo de hidrofluorcarbonetos (HFCs). O impacto dos HFCs chega a ser 12 mil vezes maior que o do CO2. HFCs são usados em equipamentos de refrigeração e ar-condicionado, como o residencial. Calcula-se que com a Emenda de Kigali, o aumento de temperatura seria 0,5°C menor que o esperado até o fim do século.


A ratificação gera desenvolvimento e empregos. A Emenda incentiva a troca de técnicas obsoletas por outras que reduzam o consumo de eletricidade. Ratificá-la representa o acesso ao Fundo Multilateral do Protocolo de Montreal (MLF), destinado a programas de conversão tecnológica e capacitação de técnicos de refrigeração.


A adoção de medidas de estímulo à eficiência energética bastaria para a redução de 39,3 TWh até 2035, gasto de 11,9 milhões de casas no período. Além disso, a mudança garantiria R$ 152 bilhões a menos na conta de luz entre 2021 a 2035. O Congresso brasileiro tem um compromisso com a História. Cada dia perdido representa prejuízo irreparável.


Este artigo de opinião foi originalmente publicado no portal do O Globo, no dia 31 de dezembro de 2019.

*Suely Carvalho é consultora do Instituto Clima e Sociedade (iCS) e ex-diretora da Unidade do Protocolo de Montreal no PNUD





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