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PBE: nova classificação de ar-condicionado

Atualizado: Jul 21

Após muitos estudos e um trabalho efetivo do iCS, Projeto Kigali e parceiros, INMETRO divulgou a Portaria 234, que exige maior rigor na classificação de um equipamento como A, além de melhorar a metodologia de cálculo de eficiência energética



Na quarta-feira, dia 1 de julho, o INMETRO publicou a Portaria 234, que torna mais rigorosos os critérios de classificação de um equipamento como A (os que apresentam menor consumo de energia elétrica) a partir de dezembro de 2022 e muda a metodologia de cálculo da eficiência energética para o método de carga parcial e métrica sazonal.



A atualização é uma conquista da sociedade civil, com destaque para o iCS, no âmbito do Projeto Kigali, e alguns de seus donatários, como IDEC, IEI Brasil e Purpose. Parceiros também foram fundamentais, entre os quais Mitsidi Projetos, Lawrence Berkeley National Laboratory e CLASP.



Nessa entrevista, Kamyla Borges, coordenadora da Iniciativa de Eficiência Energética do iCS, explica um pouco mais sobre a nova regulamentação, os prazos de implementação e os próximos passos.


1. Kamyla, a nova regulação que formaliza a revisão do PBE foi publicada no dia primeiro de julho, uma vitória do Projeto Kigali e parceiros. Quais são os principais avanços?

Kamyla Borges: Gostaria de destacar dois avanços da Portaria 234/2020 do INMETRO: ela incorpora um novo método de cálculo da eficiência energética que é mais preciso, revisa e atualiza as eficiências mínimas exigidas para enquadramento dos aparelhos de ar condicionado nas classes da etiquetagem do Programa Brasileiro de Etiquetagem do INMETRO.


A nova etiqueta do INMETRO também passará a informar qual fluido refrigerante é usado no condicionador de ar. Na consulta pública sobre a norma, defendemos que essa informação fosse dada de forma mais didática porque ninguém sabe que o fluido R-410A, por exemplo, é um poderoso gás de efeito estufa. Mas, já é um tímido primeiro passo em direção a informar o consumidor sobre o impacto que o produto que ele compra causa no meio ambiente e no clima.

2. De que forma a nova portaria torna os critérios de classificação de um aparelho de ar condicionado em A mais rigorosos?


Kamyla Borges: A Portaria estabelece duas fases para a atualização das faixas de eficiência da etiquetagem. Por exemplo, para um ar condicionado split ser enquadrado como "A", a faixa mais eficiente, terá que:


  • a partir de dezembro de 2022, obter uma eficiência mínima de 5.5 CSPF, índice 52% maior do que o atualmente exigido;

  • a partir de dezembro de 2025, ter uma eficiência mínima de 7.0 CSPF, 108% maior do que hoje.


Claro, comparativamente a países como a China, poderíamos ter avançado muito mais. Mas, tendo em vista a realidade brasileira, foi uma boa vitória.


3. Embora a portaria estabeleça duas fases, empresas já podem adotá-la imediatamente de forma voluntária. Como serão os próximos dois anos?

Kamyla Borges: Sim, a regulação do INMETRO permite que o fabricante já a adote imediatamente, de forma voluntária. Muitos fabricantes já expressam a intenção de adotar a nova etiqueta ainda este ano. Então, nos próximos 2 anos, conviveremos com 2 etiquetas. Isso levanta a importância de uma ampla campanha de conscientização do consumidor para que observe a mais atualizada.


4. Um dos pontos de destaque é a adoção de métodos de performance sazonais, compreendendo um pouco melhor as particularidades do clima no Brasil. Como isso contribui no resultado final da análise da eficiência energética dos aparelhos de AC?

Kamyla Borges: O novo método de cálculo da eficiência energética dos aparelhos de ar condicionado baseia-se na ISO 16358, e incorpora o fato de que, num país como o Brasil, os climas entre as regiões e entre as épocas do ano variam muito. Ou seja, esse novo método, conhecido como "métrica sazonal", é mais preciso e informa melhor ao consumidor o desempenho específico do equipamento. Além disso, esse método baseia-se nas melhores práticas internacionais.


5. Como o iCS, por meio do projeto Kigali e de seus donatários, atuou nesses avanços? Quais são os próximos passos?

Kamyla Borges: O Projeto Kigali atuou diretamente na interlocução com o INMETRO, PROCEL e com a indústria. Além disso, por meio do Projeto, o iCS apoiou organizações que tiveram um papel fundamental no processo de discussão dessa Portaria. É o caso do IDEC, que foi protagonista na pressão para que o INMETRO atualizasse a etiquetagem, do IEI Brasil, que participou ativamente das discussões técnicas e subsidiou o trabalho do iNMETRO com análises e estudos, e da Purpose, responsável pela campanha BlackFriday. Preciso mencionar também a Mitsidi Projetos, que ajudou com dados e informações técnicas.


Outros parceiros também fizeram a diferença, como o Lawrence Berkeley National Laboratory, que subsidiou o INMETRO com informações sobre a métrica sazonal, a CLASP, que trouxe toda a experiência internacional com os programas de etiquetagem, e a Uma Gota no Oceano, que foi fundamental no apoio à comunicação estratégica. Menção especial a ser feita também aos profs. Drs. Suely Carvalho e Roberto Lamberts, que contribuíram com preciosas orientações e conselhos.

O trabalho não parou. Toda essa turma continua engajada para que possamos ver, até o final do ano, o Selo Procel e os padrões mínimos de eficiência energética para condicionadores de ar também atualizados com as melhores práticas internacionais.


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