• iCS - Clima e Sociedade

Mapa da desigualdade 2020

Por Guilherme, Paula, Thábara, Vitor e toda equipe da Casa Fluminense

A elaboração desta edição do Mapa da Desigualdade nos fez enfrentar uma série de desafios do contexto global e local, especialmente aqueles que se apresentam a todas e todos que vivenciam nossos abismos sociais. Trabalhar com indicadores no Brasil, sobretudo quando tratamos de territórios periféricos, é complexo e nos exige muita responsabilidade e compromisso.



Os dados são escassos e, muitas vezes, desatualizados. Os Censos Demográficos, feitos pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE, teoricamente a cada dez anos, ainda são a principal fonte de dados sobre as cidades brasileiras. Isto é ainda mais importante quando observamos a realidade intramunicipal, onde as desigualdades socioterritoriais são invisibilizadas por dados que tomam o município como um todo, sem desvendar suas particularidades internas.

Além disso, também enfrentamos dificuldades para obter dados adicionais, através do Sistema Eletrônico do Serviço de Informação ao Cidadão (e-SIC). A Lei de Acesso à Informação (LAI) está em vigor há oito anos, mas ainda é difícil utilizar esta ferramenta para obter dados. Na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, encontramos prefeituras que não disponibilizam o e-SIC em seus sites. Mesmo entre aquelas que têm a plataforma disponível, a não entrega dos dados nos prazos solicitados e o repasse de informações incompletas são problemas recorrentes.

Ainda quando os dados estavam disponíveis em bases públicas das três esferas de governo, percebemos outro problema: a falta de confiabilidade dos mesmos. Neste sentido, números conflitantes entre bases semelhantes e séries históricas irregulares foram dois dos principais desafios enfrentados na seleção dos indicadores que compõem este Mapa. Por conta disso, a checagem de todas as informações apresentadas se tornou exercício constante durante o processo de pesquisa.

Dessa forma, a Casa Fluminense afirma que os dados apresentados nesta publicação foram obtidos através de fontes governamentais, como também pela geração cidadã de dados, iniciativas colaborativas para a produção de novos indicadores. Esperamos que o Mapa da Desigualdade reforce a necessidade de produção de dados de maneira regular, periódica e confiável, e some esforços com tantos movimentos importantes da sociedade civil que produzem de forma independente dados e narrativas sobre as realidades locais.

Este 2020 era o ano de realização do novo Censo Demográfico, mas a principal pesquisa domiciliar do país, que já havia sofrido uma série de cortes, foi postergada para 2021. Sob risco de apagão estatístico, a transparência de dados segue ameaçada pela sabotagem de mandatos eleitos, inclusive durante a maior pandemia vivida pela nossa geração.

Ainda assim, lançamos os Mapas em um ano de eleições municipais, em que as prefeituras e câmaras legislativas precisam estar atentas às desigualdades estruturais e emergenciais das cidades, para construírem plataformas futuras que priorizem a justiça social e o direito à vida. Contudo, a letalidade e o agravamento da crise sanitária também adiou o calendário eleitoral e as agendas públicas que dependem da participação presencial seguem suspensas, em segundo plano.

Neste trilho, a Casa Fluminense e sua rede de parceiros lançam a nova edição da Agenda Rio 2030 com propostas para os dez eixos temáticos que estruturam o conjunto de indicadores do Mapa da Desigualdade. São eles: habitação, emprego, transporte, segurança, saneamento, saúde, educação, cultura, assistência social e gestão pública. Ambas as publicações perseguem o horizonte da abordagem interseccional para estes temas, transversalizando seus conteúdos com os valores das justiças econômica, racial, de gênero e socioambiental.

Questionar o racismo estrutural brasileiro e as camadas de opressões históricas sobre as mulheres, pessoas LGBTQI+ e das periferias é compromisso inevitável de qualquer iniciativa que se posicione no enfrentamento às desigualdades. A Agenda, portanto, busca trabalhar a redução das desigualdades de maneira pragmática e colaborar no ciclo de políticas públicas quando apresenta um desenho e formulação de políticas, incide em sua implementação e produz o seu monitoramento.

Mapa da Desigualdade e Agenda Rio alinham seus eixos aos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), pacto global entre os países membros das Organizações das Nações Unidas com metas para transformar a realidade social, econômica, ambiental e institucional, sobretudo na erradicação da fome e da pobreza, em todas as suas dimensões, até 2030.

A cada um dos mapas, você encontrará um título simples, uma nota técnica oriunda das bases de dados que utilizamos, alguns ODS relacionados e uma breve leitura da equipe acerca da informação trazida.

Nos valendo das premissas citadas acima, o Mapa da Desigualdade 2020 almeja influenciar o debate público, potencializar e mobilizar lideranças sociais através de um amplo diagnóstico que defende um Rio metropolitano mais justo e democrático. A publicação se apresenta como uma ferramenta para enfrentar nossos desafios estruturais e ameaças emergenciais para melhor planejar o futuro das nossas metrópoles.

Boa leitura!


*Este texto foi extraído da Apresentação do Mapa da Desigualdade 2020

iCS - Instituto Clima e Sociedade 2020 | Todos os direitos reservados

  • Facebook
  • Twitter
  • YouTube
  • LinkedIn ícone social