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Qual é o valor do dano econômico causado pelas mudanças climáticas nas infraestruturas críticas?

Estudo nacional do Instituto Internacional de Sustentabilidade (ISS) divulga os primeiros resultados da análise das infraestruturas críticas no país. A publicação é pioneira! Faça o download do sumário executivo aqui!




O Instituto Internacional de Sustentabilidade publicou o sumário executivo do estudo “Mudança do Clima, Infraestruturas Críticas no Brasil e Dano Econômico”, realizado em parceria com o iCS. De acordo com Sergio Margulis, líder da equipe responsável pelo estudo, os sistemas de abastecimento de água de algumas regiões metropolitanas, principalmente no Rio de Janeiro e São Paulo, têm risco muito alto – embora as projeções climáticas para a região sudeste sejam difíceis, a tendência é de secas, algumas muito fortes, que podem ameaçar seriamente o abastecimento.


“Esse estudo é super pioneiro, não há referências brasileiras fazendo esse tipo de análise de impactos em infraestrutura. Há alguns, mas que não quantificam as perdas do ponto de vista econômico e usam metodologias mais simples. Aprendemos que, mais do que importante do que olhar um modelo climático e achar que as prioridades ali indicadas são as principais, é comparar modelos e variação entre resultados. Ou seja, é melhor trabalhar com o maior número possível de modelos. Para o nível de análises que fizemos os resultados são significativos principalmente para hidrelétricas e rodovias, em lugares mais ou menos conhecidos, como estradas na região Sudeste e barragens nas regiões Norte (bacia do Madeira) e Nordeste. O estudo é uma chamada para os órgãos de segurança nacional que, apesar de não quererem divulgar informações sobre vulnerabilidade de infraestrutura de segurança nacional, precisam estar atentos que a mudança do clima é uma potencial ameaça – o trabalho justamente tenta buscar estruturas críticas mais vulneráveis e sujeiras a impactos econômicos”, explica.

O levantamento calculou o valor dos danos econômicos sobre as infraestruturas de abastecimento de água, geração de energia elétrica, irrigação, rodovias federais e portos causados por inundações fluviais, deslizamentos, secas meteorológicas, incêndios florestais e tempestades severas, em diferentes cenários de mudanças climáticas


O valor médio dos danos esperados decorrentes das mudanças do clima é cerca de R$ 12 bilhões ao longo dos 30 anos considerados no estudo. Mas esses custos somam-se aos já esperados nos cenários sem mudança do clima, resultando em danos totais de R$ 540 bilhões em 30 anos, ou R$ 18 bilhões por ano – cerca de 0,25% do PIB nacional de hoje. Lembrando que foram consideradas apenas cerca de 300 infraestruturas do país e que o horizonte do estudo é 2040, quando os impactos das mudanças do clima ainda serão de menor monta.


Os impactos esperados sobre essas infraestruturas são da maior importância por conta dos serviços sociais e econômicos que desempenham. As infraestruturas atuais são projetadas e construídas com base em padrões de engenharia desenvolvidos décadas atrás, tomando como base o comportamento do clima que não mais representa o atual. Com as mudanças climáticas, as infraestruturas podem não ter a capacidade de lidar com as novas cargas climáticas, forçando a adoção de políticas e procedimentos para mitigar os riscos.


Baixe a publicação aqui!


#infraestruturascríticas

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