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GREVES PELO CLIMA 2019

Atualizado: 10 de Abr de 2019


Ato político mobiliza mais de um milhão de crianças e jovens ao redor do mundo. Confira o relato de uma jovem ambientalista, da rede Engajamundo, que participou da manifestação no dia 15 de março.

Por Amanda Costa

Os adultos falharam. Eles falharam em diminuir as emissões de gases de efeito estufa e falharam em conter o aquecimento global. Nesse cenário catastrófico, adolescentes e jovens de 123 países resolveram agir.


No dia 15 de março de 2019 estudantes da Ásia, África, Europa, América do Norte e América do Sul foram para as ruas em greve em um ato político contra o roubo do futuro. Como é que nossos governantes têm a audácia de nos pedir para irmos à escola enquanto não temos a segurança de ter justiça climática e equidade intergeracional?



Essa narrativa ousada ganhou força com Greta Thunberg, uma adolescente sueca de 16 anos que impactou o governo sueco ao se recusar ir à escola todas as sextas-feiras para protestar em frente ao Parlamento do seu país. O motivo de sua queixa é a lentidão dos governantes em adotar medidas reais para frear as mudanças climáticas. Segundo Greta, não há sentido em se empenhar tanto nos estudos se não temos garantia de poder cursar uma universidade, ter um emprego ou até mesmo um futuro.


“Nós, jovens, somos mais da metade da população global. Nossa geração cresceu com a crise climática e teremos que lidar com isso pelo resto de nossas vidas. Apesar disso, a maioria de nós não está incluída no processo decisório local e global. Não aceitaremos mais essa injustiça. Temos o direito de viver nossos sonhos e esperanças.” (Greta Thunberg, Juventude pelo Clima, 2019).

Após a 24º Conferência sobre Mudanças Climáticas da ONU, Greta ganhou protagonismo na comunidade internacional. Ela conseguiu impactar a sociedade civil, membros do governo e grandes organizações com seu discurso simples, verdadeiro e provocativo. Desde então, vem liderando o movimento global FRIDAY FOR FUTURE, que tem o intuito de despertar o senso de urgência em relação ao perigo das alterações do clima e pressionar os tomadores de decisão para olharem com mais veemência para a pauta socioambiental.


Foto: Marcio Isensee e Sá / O Eco

No Brasil, o movimento ainda é tímido, fruto de uma educação falha e um ensino de base precário. No entanto, as notícias correm depressa em um mundo globalizado. Lideranças jovens estão surgindo por todo o país, conscientes de que ações concretas são fundamentais para diminuir as ações antrópicas que aceleram o aquecimento do planeta. Nesse cenário do dia 15 de março de 2019, ativistas climáticos foram as ruas de diversos estados brasileiros para protestar contra a postura conformista dos políticos, cobrando sensibilidade e urgência em relação ao tema.


Foto: Marcio Isensee e Sá / O Eco

Em São Paulo, os jovens arrasaram e conseguiram chamar atenção para a causa! Com cartazes e gritos ensaiados, os ativistas realizaram um ato político e cobraram respostas dos governantes. Nesse contexto, é necessário sensibilizar a população para olhar com mais profundidade para as mudanças climáticas, com o objetivo de mostrar para a sociedade civil a importância desse desafio global.


À medida em que nossos representantes se omitem em relação ao tema, líderes climáticos vão surgindo por todo o país. Com bastante seriedade (e um pouco de diversão), estamos mudando a realidade, transformando um assunto complexo em algo desafiador. Queremos ações rápidas e não seremos manipulados! Essa mudança não pode ser restrita à geração millennials. Ela precisa transbordar para toda a sociedade. Temos medo, anseios, borboletas no estômago e pressa. TEMOS MUITA PRESSA. Sabemos da urgência e queremos soluções. Estamos dispostos a mudar nossos hábitos, mudar nossa postura, cobrar nossos representantes e salvar nosso mundo.


Assista também ao vídeo anterior à greve publicado no canal da Coalizão Clima e Mobilidade Ativa (CCMob):


#FridayForFuture

Amanda Costa é estudante de Relações Internacionais e articuladora da ONG Engajamundo, na qual coordena o GT de ODS. Possui grande experiência com planejamento de projetos, engajamento de equipes e pesquisa científica, características conquistadas através da liderança de atividades sociais e do seu engajamento em núcleos de pesquisa. Seu campo de atuação é voltado para o desenvolvimento sustentável e mudanças climáticas, sendo considerada uma liderança jovem a nível internacional.

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