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Comida de verdade é direito ou privilégio?

Debate “Segurança Alimentar nos Territórios Tradicionais” marca início da série “Mulheres Negras e Mudanças Climáticas”, organizado pelo GT Marielle Franco

Não existe justiça climática sem justiça racial. O GT Marielle Franco, do Instituto Clima e Sociedade, promoveu no dia 29 de julho o importante lançamento da série de debates “Mulheres Negras e Mudanças Climáticas”, cujo primeiro webinar debateu o tema “Segurança Alimentar nos Territórios Tradicionais”.

“Nós, do GT Marielle Franco, acreditamos que o debate deve considerar a desigualdade e o racismo, e que ele deva ser capaz de produzir visão de futuro baseada na inclusão e na igualdade”, explica Denise Reis, do iCS, na abertura. Ana Toni, diretora-executiva do iCS, diz que o tema é fundamental, mas que a filantropia climática ainda não sabe exatamente como lidar com ele.

“O nome do Ics já fala tudo, Instituto Clima e Sociedade. Se vamos falar de sociedade não tem como falar de sociedade no Brasil sem o tema da população negra brasileira e equidade racial. Mas a filantropia climática e organizações climáticas estão longe de saber como lidar com esse tema, como trazer negros e negras para dentro do debate climático. É uma comunidade muito branca no Brasil e fora do Brasil. A comunidade internacional começou a se preocupar depois do assassinato de George Floyd”, explica.

Anielle Franco, irmã de Marielle Franco, participou do debate e reforçou a importância da discussão sobre segurança alimentar e a relação direta com as favelas, onde estão as pessoas mais atingidas. “Há uma revolução em curso, e essa revolução é feminista e preta. A Mari não foi assassinada em vão. Vamos transformar esse luto em luta. Espero e quero falar sempre de mulheres negras enquanto elas estão vivas”, afirmou.

Participaram do debate Ana Santos, educadora social e co-fundadora do Centro de Integração da Serra da Misericórdia (CEM) – RJ; Karina Penha, bióloga, Mobilizadora Sênior de Criação do Instituto NOSSAS; e Maria Aparecida Mendes, mestra em Sustentabilidade Junto a Povos e Terras Tradicionais pela UnB, do Território Quilombola de Conceição das Crioulas no Sertão de Pernambuco, liderança da CONAQ – Coordenação Nacional das Comunidades Negras Rurais Quilombolas do Brasil.

“Comida de verdade é direito ou privilégio?”, indaga Ana Santos. “A soberania alimentar é essencial nos territórios de fragilidade. A agroecologia e a produção de alimentos transformam e nos dão autonomia de pensar outras formas de viver nesse território”, completa.

Foi potente, bonito e indispensável. Fazemos o convite e o pedido: por favor, assista.