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ESPECIAL: Mês da mobilidade na arena de eleições

Atualizado: 8 de Out de 2018

Em entrevista, o coordenador executivo da Casa Fluminense resgata a centralidade do acesso à cidade para o o debate sobre mobilidade urbana


Por Andréia Coutinho Louback



Não importa em qual meio de transporte, esteja você numa rua desimpedida ou preso num congestionamento: estamos todos transitando pelo mês da mobilidade. Oficialmente, setembro nos traz múltiplas oportunidades de reflexão sobre uma das pautas mais importantes do Brasil afora. Milhares de cidades e organizações promovem iniciativas, eventos e fóruns de discussão sobre os mais diversos modos de deslocamento, políticas de ocupação e do transporte público como direito social. Segundo as metas da Agenda 2030, “cidades e comunidades sustentáveis” é o décimo primeiro dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), que prevê a garantia do acesso aos sistemas seguros de locomoção e a preço acessível, segurança rodoviária, aumento da urbanização inclusiva e muito mais.


Sendo o transporte de passageiros a principal fonte de emissão de gases de efeito estufa das cidades brasileiras, compreendemos a necessidade urgente de aprofundar o debate sobre mobilidade urbana. Porém, por onde começar? Um bom caminho é desestimular o uso de veículos individuais motorizados, acelerar o investimento em transportes públicos de qualidade e lutar pela redução das desigualdades territoriais.



Henrique Silveira, coordenador executivo da Casa Fluminense, reforça que falar de mobilidade plena vai muito além de transporte. “Mobilidade urbana é acesso à cidade. É o nosso direito de acessar emprego, trabalho, serviços, oportunidades e lazer a partir do nosso local de moradia. É também uma discussão forte sobre planejamento urbano e como distribuímos as oportunidades de forma mais equânime no território”, esclarece. Ou seja: não é sobre uma maneira de se deslocar, mas sobre o reordenamento urbano e como se estrutura todo um sistema de possíveis modos de transporte para toda a população – sobretudo quem vive nas periferias.


Foto: WRI Brasil

O cenário brasileiro de mobilidade é extremamente caótico. Prova disso foi a pesquisa americana Expert Market, que analisou os principais centros de transporte do mundo e apontou o Rio de Janeiro como a pior classificação entre as 74 posições do ranking, no qual Brasília, Salvador e São Paulo também ocuparam posições negativas – 68, 70 e 72 respectivamente.

“O Rio tem o maior tempo do deslocamento entre casa e trabalho do país. O que a sociedade quer são respostas para sairmos dessa condição desconfortável, que vai drenar a qualidade de vida do conjunto da população, da classe trabalhadora e dos precisam fazer grandes deslocamentos diários”, alerta Silveira.

Em tempos de pré-eleições, a Casa Fluminense cobra do poder legislativo e executivo os cinco pontos consolidados no capítulo de mobilidade urbana da Agenda Rio 2030, que visam o aumento do número de trens metropolitanos, dos metrôs de superfície e do número de viagens, a ampliação de investimentos em transportes coletivos, a redução dos intervalos de tempo, modernização das estações e melhoria da acessibilidade. Soma-se a isso, o grande problema do transporte individual motorizado. “Precisamos de mais estruturas para pedestres, ciclovias e criar mais restrições ao uso do carro. Esta é uma visão de futuro importante em uma cidade mais humana”.

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