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Mobilidade mais inclusiva e sustentável

Em entrevista ao mobilize.org, Marcel Martin explica a importância da eletrificação no transporte, comenta sobre novas baterias e reforça a necessidade de infraestruturas mais confortáveis para pedalar e caminhar, com as eleições municipais batendo à porta

Em entrevista para o Mobilize, Marcel Martin, coordenador de Transportes do iCS, esclareceu pontos importantes sobre o modelo de mobilidade no Brasil e a eletrificação dos veículos. Em primeiro lugar, explica, o setor de transporte é um dos maiores responsáveis pelas emissões de gases causadores do efeito estufa, sendo o principal nas cidades. Mas e o ônibus, é o vilão? “Definitivamente não. Uma cidade como São Paulo tem uma frota de 15 mil ônibus, enquanto o número de veículos particulares é muito maior. São quase seis milhões de automóveis e mais de um milhão de motos. E vários estudos mostram que os carros circulam com um ou dois passageiros, o que dá uma média de 1,3 passageiro por carro. Um ônibus transporta pelo menos 40 pessoas, ou 20, durante este período de pandemia. Então, embora seja também um emissor de poluentes, a emissão média, por pessoa, é bem menor”, explica.

E qual a solução? Eletrificação é uma delas. Marcel conta que as baterias a base de chumbo estão sendo substituídas pelas novas tecnologias, menos agressivas ao meio ambiente. Além disso, baterias de um ônibus, por exemplo, duram cerca de 15 anos, e depois podem ser reutilizadas, por exemplo, em instalações estacionárias para reservar energia gerada em painéis fotovoltaicos. Mesmo em países nos quais a energia elétrica ainda é gerada pela queima de óleo, gás e até carvão a eletrificação faz sentido, uma vez que a eficiência do equipamento de uma usina elétrica é superior ao de um motor a combustão de um carro ou ônibus. Embora ainda haja um problema de autonomia, no meio urbano é possível implantar rede de postos de recarga.

Outra solução fundamental é a mobilidade ativa, como diz Martin. “Os governos precisam assumir essa responsabilidade, de prover infraestruturas adequadas em todas as áreas das cidades. Só assim teremos uma mobilidade de baixo carbono. Não basta eletrificar a frota de ônibus, se as pessoas não conseguirem chegar a pé, com conforto e segurança, até o ponto, até a estação do metrô”. Nada mais atraente para esse momento que as eleições municipais, provavelmente, como avalia Marcel, uma das mais importantes dos últimos anos no Brasil. Chegou a hora dos prefeitos e vereadores oferecerem alternativas mais saudáveis, seguras e confortáveis para a mobilidade.

Leia a entrevista completa.


Podcast do Transporte


No episódio 25 do Podcast Caravelas + Idea, Marcel Martin, do iCS, e Américo Sampaio, da Purpose, debatem sobre mobilidade urbana e a importância da economia verde e seus pilares de meio ambiente, governança e social, a sigla em inglês ESG. Uma das pautas lembrou que o ônibus é o transporte mais utilizado no Brasil, a despeito de sua má conservação e principalmente por sua capilaridade e acesso financeiro. O carro próprio vem em terceiro, atrás da bicicleta, mostrando que o automóvel particular é ainda um artigo de luxo no Brasil. Caso tivéssemos uma estrutura mais sólida para as bikes, elas seriam muito mais utilizadas, em grande parte como primeira perna de viagens mais longas. Para isso, no entanto, seria preciso fazer integração com estações de metrô e de ônibus.

Outro assunto discutido foram as eleições municipais. Segundo os participantes, o sistema de transporte público como está hoje tende ao colapso, porque o modelo de equilíbrio econômico-financeiro não se sustenta no longo prazo, considerando os subsídios oferecidos Às grandes empresas. Há, no entanto, uma certa naturalização do reajuste das tarifas de ônibus, algo grave, uma vez que a cada aumento do preço uma parcela da população não consegue mais utilizar o transporte. Além da gravidade social, quanto menos pessoas andam de ônibus, maiores os subsídios a serem pagos pelo poder público. Se continuássemos no mesmo ritmo pré-pandemia, em sete a dez anos os valores das tarifas seriam impagáveis. Com a pandemia, esse processo acelerou, e portanto, uma reestruturação do transporte público é fundamental. Estará nas mãos dos próximos prefeitos e vereadores – daí a importância das eleições deste ano. Ouça o podcast aqui!

Credit: Agência Brasil / EBC

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