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Encontro do Portfólio de Uso da Terra e Sistemas Alimentares

Com mais de 180 participantes, série de seis encontros virtuais debateu temas como bioeconomia, visão de futuro para Amazônia, eleições 2022 e regularização fundiária


O portfólio de Uso da Terra e Sistemas Alimentares do iCS organizou o primeiro encontro de donatários e parceiros, com números expressivos. Foram ao todo seis reuniões virtuais, que receberam mais de 180 participantes de 56 organizações e entidades, com objetivos de reconhecimento mútuo, identificação de potenciais parcerias e entendimento de causas e demandas para eventual adequação estratégica.


“Na sessão de abertura, pedimos que os participantes realizassem, em grupos, o exercício de projetar manchetes de jornal que gostariam de ler sobre a Amazônia em 2030, com uma visão daquilo que se imagina como mais importante para o desenvolvimento socioeconômico e a conservação ambiental da região. Em seguida, a primeira sessão temática discutiu instrumentos de monitoramento, responsabilização legal e econômica das infrações ambientais e inputs sobre o papel do judiciário, do Ministério Público, dos órgãos de controle e de como a sociedade civil pode contribuir para a qualificação de dados, fluxo de informações, etc.”, explica Gabriel Lui, coordenador de Uso da Terra e Sistemas Alimentares do iCS.

O tema de bioeconomia, um dos mais relevantes no contexto de desenvolvimento sustentável da Amazônia, foi abordado na segunda sessão temática, principalmente sob o ponto de vista prático, de como ela pode ser positiva para quem está no campo diretamente. Esse debate mostrou desafios, gargalos do setor produtivo na Amazônia e expectativas de como o iCS pode ajudar a alavancar projetos de bioeconomia por meio do portfólio. Em seguida, foi a vez da regularização fundiária, com foco nos territórios coletivos e em terras não destinadas, com entendimento das ameaças, dos instrumentos legais e do que deveria ser feito, mas ainda não foi.


A última sessão temática se desenvolveu sob a ótica das eleições e do debate político sobre Amazônia em 2022, com ideias a respeito de como mobilizar os parceiros para o desenvolvimento de caminhos que levem a soluções na área – por exemplo, campanhas, planos de mobilização, conversas com eleitores e candidatos, entre outros. “Finalizamos o trabalho com reflexões de próximos passos, voltando àquelas manchetes iniciais e entendendo o que foi abordado, ao longo dos encontros, como formas e meios de poder torná-las reais em 2030. Além disso, estamos sintetizando todas as contribuições para depois olhar a nossa estratégia e verificar se podemos refiná-la”, completa Lui.


Confira os depoimentos de dois participantes do encontro:


“Este é nosso primeiro ano como grantee do iCS e a sequência de encontros de parceiros do portfólio de Uso da Terra e Sistemas Alimentares foi uma grata surpresa, pois propiciou contatos e reativou outros envolvendo pessoas e instituições que são as maiores referências nacionais na área. As palestras com todos e as trocas em pequenos grupos foram a combinação perfeita para a discussão de temas altamente estratégicos e que terão como resultado a construção de um planejamento assertivo e complementar no iCS, respeitando as diferentes vocações e áreas de atuação dos parceiros. Pra OPAN, é uma honra estar entre os parceiros do iCS e participar de reflexões importantes para o futuro da Amazônia com quem realmente está fazendo a diferença”.

Andréia Fanzeres, Operação Amazônia Nativa (OPAN)


“Tive o prazer de participar de todos os encontros e a minha sensação após o término é de que, primeiro, foi muito importante estar em uma ciranda de pessoas que comungam de nossos ideais, que partem dos mesmos princípios em que acreditamos, mesmo estando nos mais diversos lugares e em diferentes organizações. Para nós, quilombolas, como um povo que teve suas ideias e contribuições escutadas de forma tão cuidadosa durante o processo, foi fundamental, principalmente neste momento atual, de não escuta e poucos debates produtivos. Muito porque é uma excelente troca para a construção do nosso objetivo, daquilo que almejamos para os próximos dois anos, que é a titulação e certificação dos territórios quilombolas e o respeito às pautas de direitos humanos, meio ambiente, sociedade e cultura. Além disso, a facilitação, o controle do tempo, os debates sempre produtivos e participativos, e os relatórios que nos foram enviados e que incluíam todas as contribuições dos grupos de trabalho ajudaram muito a construir pontes, reverberar os resultados, melhorar o diálogo. Foi ótimo inclusive para nos dar um pouco mais de gás. Vivemos uma fase tão difícil que momentos como este de construção coletiva nos dão força para seguir nesta trincheira na qual estamos há tanto tempo. Foi muito bom, e agradeço a oportunidade”.

Selma Dealdina, Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (CONAQ)