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Encontro promove debate sobre um dos setores que mais emitem no Brasil e no mundo

Atualizado: 15 de Jun de 2018

No dia 6 de dezembro, o Instituto Clima e Sociedade – iCS, ao lado da Embaixada Alemã no Brasil e do IEMA (Instituto de Energia e Meio Ambiente), organizou o “Encontro Internacional sobre Descarbonização do Transporte”, em Brasília. Este foi o segundo evento da série “Diálogos por um Futuro Sustentável”, criada em parceria do iCS com a Embaixada, e contou com 105 participantes e transmissão ao vivo via streaming no Youtube.

Responsável por uma parcela significativa das emissões totais de gases de efeito estufa, o setor de transportes é um dos que aparece com mais frequência com esforços de descarbonização nas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs) submetidas no Acordo de Paris. Durante o evento, foram debatidas experiências e estratégias, destacando compromissos do Brasil e a redução das emissões na mobilidade urbana e no setor de cargas.


Ana Toni, diretora-executiva do iCS e facilitadora da mesa de abertura, destacou que mais de 77% do transporte no Brasil ainda é individual e prioriza os combustíveis fósseis – número que demonstra o papel do setor nas emissões e a grande oportunidade de mudança. “Não é tanto uma questão de reduzir as emissões atuais, mas de como evitar as futuras, pensando em um novo modelo de desenvolvimento. Falta uma integração muito grande das políticas públicas na área de transporte e de pesquisa. Devemos olhar para soluções que vão além das mudanças tecnológicas e de combustível. Isso é fundamental, mas não suficiente. Temos que olhar para planos de integração entre modais e eficiência energética”, diz.


A experiência da Alemanha foi retratada por Georg Witschel, Embaixador do país europeu no Brasil. Segundo ele, o grande lema local é a conversão do abastecimento por combustíveis fósseis pelas energias renováveis. Esse, avalia, é um importante ponto de análise para o Brasil: tratar de proteção climática significa avançar em uma série de setores, e não apenas redução do desmatamento. Em um cenário de mudanças como esse, a iniciativa privada tem papel fundamental a ser exercido.

“O novo desenvolvimento oferece grandes desafios para as nossas empresas, mas por outro lado também inúmeras possibilidades. Quem se posicionar corajosamente na vanguarda tem grandes chances de conquistar o mercado do futuro. Serão criados novos postos de trabalho, com ofertas inovadoras no transporte comunitário e de cargas. Na Alemanha, queremos reduzir as emissões entre 40% e 42% até 2030. Embora seja um caminho difícil, temos esperança de conseguir alcançar a meta”, avalia.


Para André Ferreira, diretor-presidente do IEMA, donatário do iCS, as NDCs têm uma abordagem comum, focada na redução dos veículos, como busca por novas tecnologias e combustíveis, mas pouco direcionada aos padrões de deslocamento de passageiros e bens.


“O foco na tecnologia veicular e não na transferência modal e redução na demanda de viagem precisa ser aprofundado. Em 2016, chegamos a 48% das emissões em transportes. Portanto, depois do desmatamento, o transporte é sem dúvida um desafio importante no Brasil. Metade dessas emissões é de passageiros, enquanto a outra é de transporte de cargas no Brasil – só os caminhões emitem quase o dobro do que a geração de eletricidade”, conclui.

Atualmente, diz André, o Brasil não possui um plano público de longo prazo para energia e transporte, apenas o plano decenal e o plano nacional de logística integrada, porém com pouca articulação junto a outros setores. É mais do que fundamental integrar o Poder Público, setor privado e sociedade civil para encontrar soluções em conjunto, e eventos como este funcionam para promover o diálogo e discutir novas ações e estratégias.


No decorrer do dia, foram realizados ainda três painéis, com os seguintes temas a palestrantes:


Experiências Internacionais em Descarbonização do Transporte

Harry Lehmann, Diretor Geral do Serviço Federal do Ambiente da Alemanha (Umweltbundesamt)


José Gomes Mendes, Secretário de Estado Adjunto e do Ambiente de Portugal e Aliança para a Descarbonização do Transporte – TDA


Carolina Tohá, Ex-Prefeito de Santiago, Chile, e Co-Presidente do Grupo Consultivo de Alto Nível em Transportes Sustentáveis da Secretaria Geral das Nações Unidas – UNSG


Carmen Araújo, Consultora do The International Council on Clean Transportation – icct


Propostas para Descarbonizar o Transporte Brasileiro

Martha Martorelli, Gerente de Planejamento da Secretaria Nacional de Mobilidade Urbana do Ministério das Cidades do Brasil


Clarisse Linke, Diretora Executiva do Instituto de Políticas de Transporte e Desenvolvimento – ITDP Brasil


Juan Pablo Mikan Pizano, Assessor Técnico da Empresa de Planejamento e Logística – EPL


Walter Figueiredo de Simoni, Coordenador do Portfólio de Mobilidade Urbana do Instituto Clima e Sociedade – iCS


Tendências, Tecnologias e Inovações na Descarbonização dos Transportes

Holger Dalkmann, Consultor Senior, Agora Transportes (Verkehrswende)


Leandro Siqueira, Diretor de Desenvolvimento do Produto e Gerenciamento de Portfolio da Volkswagen/MAN


Plínio Nastari, Presidente da DATAGRO, Sugar e Ethanol Market Analysis


Aline Cavalcanti, Cicloativista e Coordenadora da Coalizão Clima e Mobilidade Ativa, CCMob


Palestra Final

Eimair Bottega Ebeling, Diretor do Departamento de Política e Planejamento Integrado do Ministério dos Transportes, Portos e Aviação Civil


Confira abaixo alguns materiais e apresentações do evento:

Carolina Tohá_Plan Integral de Movilidad Sostenible de Santiago


HLehmann – Transport Decarbonisation


Holger Dalkmann_Towards an International Verkehrswende


André Ferreira_IEMA_Desafios para a Descarbonização dos Transportes no Brasil e o Acordo de Paris


Aline Cavalcante_Papel dos transportes ativos na redução de emissões dos transportes


ITDP – Clarisse Linke – Propostas para descarbonizar o transporte


José Gomes Mendes – Transport Decarbonisation

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