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Clima e Saúde

Primeiro Diálogos do ano debate o impacto das mudanças climáticas na saúde, com focos em estudos da FIOCRUZ + WWF, CDP e estratégias da Alemanha. Panorama da Covid-19 também é debatido


Primeiro dos cinco painéis do Diálogos que acontecerão este ano, “O impacto das mudanças climáticas na saúde – políticas públicas e contexto internacional” atualizou a discussão sobre a conexão entre clima e saúde, e lançou luz sobre as decisões que precisamos tomar hoje para garantir a vida saudável a todos, pessoas e meio ambiente. Participaram do evento Andreia Banhe (CDP Latin America), Christovam Barcellos (Observatório do Clima e Saúde Fiocruz) e Laura Jung (German Alliance on Climate Change and Health), com mediação de Marina Marçal, coordenadora do portfólio de Política Climática do iCS.


Durante a conversa, o CDP lançou o relatório Mudança do Clima e Saúde Urbana – Impactos e oportunidades para as cidades brasileiras. São dados alarmantes, como por exemplo um custo estimado de US$ 1,7 bilhão anuais por mortes prematuras por poluição do ar em 29 capitais brasileiras, além de 2500 hospitalizações por mês de crianças na região amazônica em decorrência da poluição das queimadas. Entre as razões para se investir em saúde e clima, destacam-se: investimentos de US$ 29,6 bilhões em transporte público podem render retornos líquidos de US$ 223,3 bilhões (setor possui 45% do potencial de redução de CO2); estudo nos Estados Unidos mostram que, a cada dólar investido em melhorias das condições do ar, poupam-se 32 dólares em custos sociais e na saúde.


Christovam Barcellos, da FIOCRUZ, apresentou estudo inédito em parceria com o WWF que alerta para a expansão geográfica da seca no país. “As notícias aqui no Brasil não são boas. Esvaziam-se as instituições de pesquisa e, ao mesmo tempo, os órgãos de controle ambiental. Precisamos estabelecer um consenso, investir em pesquisa. Mas o aspecto positivo é que a credibilidade da ciência está aumentando com a pandemia da Covid-19”, disse. Este estudo, aliás, mostra que 60% do Material Particulado (MP) inalado no Brasil vem da queima da floresta amazônica – a exposição crônica à fumaça, aliás, faz com que aquelas pessoas mais vulneráveis à Covid-19 possam apresentar formas mais graves da infecção.


A Alemanha, por sua vez, divulgou em maio um projeto de lei que prevê a redução de emissões em 65% até 2030, caminhando para a neutralidade de carbono em 2045.


Um debate sobre clima e saúde não poderia deixar a Covid-19 de fora. Há um consenso de que um esforço preventivo no controle de zoonoses é indispensável, sob qualquer ótica – os custos associados aos esforços preventivos seriam substancialmente menores quando comparados aos custos econômicos, sociais e de saúde no controle de potenciais novas pandemias ou epidemias.