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Nova crise hídrica para o Brasil

País sofre novamente com crise hídrica, que reduz abastecimento de reservatórios hidrelétricos; solução passa necessariamente por investimento em energia solar e eólica




O Brasil vive novamente, agora em 2021, uma crise hídrica. Ela ocorre nas bacias hidrográficas do sudeste e centro oeste (rios Grande, Paraguai, Paraná) que concentra 70% dos reservatórios hidroelétricos do país. "Na atual crise hídrica o país tem de acelerar a contratação das novas fontes renováveis, eólica e solar. São as fontes mais baratas e que podem estar funcionando em dois a três anos. No semiárido nordestino têm apresentado uma produtividade excepcional quando comparadas internacionalmente. São o melhor, senão o único seguro contra esse tipo de evento climático extremo para a geração elétrica”, afirma Roberto Kishinami, coordenador do Portfólio de Energia do iCS.


Em entrevista para o epbr, Luiz Eduardo Barata, ex-diretor do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) e consultor do iCS, faz correlação direta entre crise hídrica, mudanças climáticas e desmatamento. “A questão do impacto no suprimento de energia com relação a essa questão climática e reservatórios das nossas usinas hidrelétricas”, diz. Para ele, a geração de energia a partir de renováveis, como solar e eólica, pode finalmente assumir o protagonismo na matriz elétrica nacional pós-2030. Neste caso, as hidrelétricas ocupariam o papel hoje desempenhado pelas térmicas.


E qual é este papel? Elas são acionadas justamente quando há risco de fornecimento, como agora – e muitas das térmicas são movidas a carvão. Como consequências, maiores emissões de gases de efeito estufa e aumento na conta de luz.