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Créditos de sustentabilidade rural

Atualizado: há 4 dias

Em entrevista a podcast do GT de Infraestrutura, Gustavo Pinheiro, do iCS, fala sobre a necessidade de os bancos revisarem critérios de créditos rurais, que muitas vezes financiam desmatamento


O desmatamento da Amazônia é foco em todo o mundo, e não podia ser diferente. Entre as muitas medidas necessárias para enfrentá-lo está a necessidade de os bancos avançarem na rigidez de seus critérios para créditos rurais, que muitas vezes financiam boa parte desta destruição. O podcast do GT Infraestrutura falou sobre o assunto com a participação de Gustavo Pinheiro, coordenador de portfólio de Economia de Baixo Carbono do iCS. Segundo ele, grande parcela do dinheiro emprestado por bancos foi aplicado no financiamento do desmatamento ou em infraestruturas que não fazem sentido econômico ou social para a região, além de trazerem impactos ambientais devastadores.


“O crédito para o desenvolvimento da Amazônia nunca financiou o desenvolvimento da região. É como se ela não tivesse sido descolonizada. O Brasil deixou de ser colônia de Portugal, mas a Amazônia passou a ser colônia do resto do país, esse lugar onde a gente só investe se for para tirar uma casquinha”, diz.

O Banco Central (BACEN), apenas em 2021, já abriu três consultas públicas sobre o tema, por exemplo, para tentar incorporar ao sistema de análise de crédito rural alguns critérios mais rígidos ou para saber se a área financiada para atividade agrícola encontra-se ou não dentro de uma área de conservação ou terra indígena.


Ouça à entrevista.


O GT Infraestrutura, aliás, enviou carta ao Bacen durante consulta pública 82/2021, junto a outras oito organizações, com apontamentos para que os critérios ajudem a combater efetivamente o desmatamento e os consequentes efeitos das mudanças climáticas em todos os biomas brasileiros. O documento pede, por exemplo, que o financiamento agropecuário viabilizado pelo Banco Central, inclusive para outros bancos emprestarem aos produtores, responda a critérios transparentes e claros de sustentabilidade. Veja.



Retirado do site do GT Infraestrutura