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A COP 26 chegou ao fim. E agora?

Os países assinaram um Acordo e fecharam o livro de regras do Acordo de Paris, mas deixaram maior ambição para 2022. Financiamento para mitigação e adaptação de países pobres também não avançou.


A COP26 chegou ao fim com um amplo acordo, livro de regras do Acordo de Paris finalizado e a primeira sinalização no âmbito da UNFCCC para a redução gradativa (graças a Índia, que freou o termo eliminação) de carvão mineral e dos subsídios ineficazes a combustíveis fósseis. A conferência de Glasgow, no entanto, deixou para 2022 a maior ambição dos países no enfrentamento à mudança do clima e, mais uma vez, falhou na questão do financiamento de ações de adaptação e mitigação para países pobres. O texto apenas reflete o pesar pelo fato de as nações ricas não terem cumprido a meta de mobilizar US$ 100 bilhões por ano a partir de 2020 para esta finalidade, e exorta que elas os façam até 2025.



Ao analisar os resultados para o Estadão, Ana Toni, diretora-executiva do Instituto Clima e Sociedade, explica que o problema concreto requer ambição e urgência muito maiores do que esse processo vem permitindo. Para ela, o que se viu foram países considerando as vantagens e desvantagens para suas localidades, abertos para negócios, e não para proteger o futuro da humanidade frente às mudanças climáticas.


“Esta COP não poderia ter sido apenas mais um “exercício diplomático”, esta deveria ter sido “A COP” para nos colocar na trajetória de 1,5 grau. Infelizmente ainda estamos longe dessa meta. É como o Márcio Astrini, do Observatório do Clima, tem falado - eu adoro essa frase dele: combater as mudanças climáticas e reduzir a emissão de carbono não é algo que acontece na negociação. Acontece na floresta, na cidade, nos locais diferentes. Não é assinando um papel que, como mágica, a emissão diminui”, diz.

Para Toni, o Brasil foi um exemplo da atitude de “fazer negócios” na COP26. Em se tratando de mudanças do clima, explica, “se você não é parte da solução, você é parte do problema, e o Brasil definitivamente foi parte do problema. Ele só veio a Glasgow para defender seus interesses econômicos estreitos e de curto prazo, e não para lutar contra as mudanças climáticas”.


Especificamente em relação a Amazônia e ao acordo assinado por 195 países, incluindo o Brasil, garantindo o fim do desmatamento de florestas até 2030, Ana é direta.


“A gente aplaude. Agora, eu não sei se a gente conseguiria esse acordo na Amazônia, com a população da Amazônia. Que são os primeiros a serem afetados, positiva ou negativamente, pelo desmatamento. É isso que eu estou falando, esse descasamento entre o global e o local. Se essa convenção não fosse de 195 países, mas de 195 amazônidas, chegariam à mesma conclusão? Não adianta os 195 países falarem isso se os locais ainda não estiverem convencidos. Como sociedade, temos que ajudar a fazer essa ligação. Não estou falando que os locais estão sempre certos ou que os globais estão sempre errados, ao contrário. Mas é claro que tem uma separação e a gente está prestando menos atenção em trazer as vozes locais para os debates globais. Enquanto fizermos isso, teremos muitas declarações - mas sem muita força de implementação”, finaliza.

A importância sobre a crise climática se reflete na cobertura da imprensa no Brasil, que nunca acompanhou uma COP com tanto zelo, atenção e espaço. Apenas no Brasil, foram quase 21 mil reportagens, das quais mais de 930 citam o iCS e cerca de 580 o Brazil Climate Action Hub, distribuídas por diversas plataformas na grande mídia e nos veículos especializados.


Confira algumas delas:


Estadão

Alma Preta

Terra

IstoÉ Dinheiro

Nexo Jornal

Folha de S. Paulo

Senado Federal

Veja

Folha de S. Paulo

National Geographic

Folha de S. Paulo

O Globo

Exame

Uol


E outras internacionais:


New York Times

The Sidney Morning Herald

National Parks of Paraguay

Heart

UK News Yahoo

Chopnews

Mother Nature

Food Tank

Amazon Watch

Allusa News Hub

The Atlantic

Valor International

Amazonaws