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Como enfrentar crises hídricas

Atualizado: Ago 13

O Brasil passa novamente pelo drama de uma crise hídrica, que impacta diretamente não apenas o consumo de água, como o custo da energia elétrica. Especialistas ligados ao iCS apontam caminhos

Ações em andamento no governo federal e no Congresso podem não apenas elevar (e muito) o custo da energia para o setor produtivo e consumidores finais, como jogar o país em uma situação de insegurança energética. São elas: o subsídio ao carvão na Medida provisória da Crise Hídrica e as alterações na Medida Provisória que viabiliza a desestatização da Eletrobrás. Amanda Ohara, José Goldemberg e Luiz Barata mostram no estudo/artigo “O enfrentamento de crises hídricas: O papel das energias renováveis na construção de uma matriz elétrica mais resiliente e de menor custo” que há outras alternativas.

“No momento atual de crise hídrica e de desmonte da organização do setor energético no Brasil, alguns alertas se fazem necessários para a sociedade brasileira. O primeiro é que o país não pode abrir mão de um planejamento estruturado para seu setor elétrico, que é a base para o desenvolvimento de uma economia sustentável e economicamente eficiente. Esta estrutura tem sido colocada em risco pelos retrocessos atuais, representados, por exemplo, pelas emendas incluídas na MP da Eletrobras, que impõem alternativas de expansão ao sistema elétrico que não são as melhores sob qualquer aspecto, seja ele econômico, ambiental ou de benefícios sociais.

O segundo, igualmente importante, é que a expansão baseada em térmicas a combustíveis fósseis não é o caminho para preparar o setor elétrico brasileiro para as futuras crises hídricas, que tendem a ser mais frequentes na mudança global do clima que já vivemos. Ainda que o enfrentamento da crise atual dependa do acionamento de térmicas, não se pode confundir essa solução emergencial com soluções de longo prazo. Existem opções mais adequadas para a expansão do sistema que o tornam mais seguro e resiliente, sem aumentos tão expressivos de tarifas para os consumidores como ocorre agora”, começa o sumário executivo. Ele continua:

“Como recomendações, o documento aponta para: 1) a urgência de restabelecer e preservar o papel das instituições do setor elétrico brasileiro, 2) a revisão do papel da geração hidrelétrica no Brasil, considerando suas possibilidades de expansão e ainda as hidrelétricas reversíveis como recursos; 3) a priorização em estabelecer sinais econômicos adequados no mercado de eletricidade, permitindo que as melhores tecnologias sejam integradas ao sistema de maneira competitiva. Isso inclui a aprovação da Reforma do Setor Elétrico, em tramitação desde 2016 no Congresso Nacional; e, por fim, 4) a atualização metodológica do planejamento do setor elétrico, para representar de maneira adequada as alternativas disponíveis e seus custos e benefícios sistêmicos.”

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