• iCS - Clima e Sociedade

Como foi a Climate Week para a iniciativa Fé no Clima (ISER)

Atualizado: 11 de Set de 2019

“A iniciativa “Fé no Clima” esteve presente na Semana do Clima da América Latina e Caribe, representada pela Mãe Flavia Pinto, liderança religiosa da Casa do Perdão e uma das fundadoras do Fé no Clima e por mim, Moema Salgado, coordenadora da iniciativa. Tivemos a oportunidade de assistir a diferentes debates, painéis e palestras sobre a crise climática e os esforços de mitigação. Muitas mesas apresentavam experiências inovadoras, na maioria dos casos, ocorridas na esfera local (municipal e estadual) - o que reforçou, para nós, a constatação de que o nível subnacional é e será o espaço mais adequado para estratégias de resiliência e ação de combate ao aquecimento global.

Apesar da riqueza dos debates e apresentações e da presença dos jovens, nos chamou a atenção a falta de diversidade racial e étnica nos espaços da Climate Week: havia poucos homens e mulheres indígenas ou negras, o que demonstra a necessidade de ampliar a participação de uma sociedade civil diversa nestes espaços de discussão e decisão.

Neste contexto da Semana do Clima e em meio a dias marcados pelo aumento vertiginoso dos incêndios na floresta Amazônica, o Fé no Clima, em parceria com a organização Koinonia e com a Igreja Batista de Nazareth, promoveu no dia 23 de agosto o debate “Fé e mudanças climáticas: religião, meio ambiente e preservação” no Espaço Cultural Vovó Conceição, no Terreiro da Casa Branca, um dos mais antigos de Salvador. O encontro reuniu Mãe Flavia Pinto, da Casa do Perdão (Rio de Janeiro), Ekedy Neci Neves, do Ilê axé Torrun Gunan (Salvador), Pastor Joel Zefferino da Igreja Batista de Nazareth (Salvador) e Ane Alencar, natural do Pará e diretora de Ciências do IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia), que pesquisa há mais de 20 anos os impactos das mudanças climáticas e o desmatamento por causa dos incêndios florestais na Amazônia.


Ao tratar da ciência e de seus anos de estudo na Amazônia, Ane Alencar falou da necessidade de combater a especulação criminosa e destruidora de terras na região amazônica e como este processo tem acelerado de forma brutal o desmatamento da floresta e, por consequência, o aquecimento do clima no nível local e nacional. Ekedy Neci Neves destacou a experiência local de realocação de comunidades quilombolas e a dificuldade em fazer com que as esferas públicas respeitem as práticas tradicionais do candomblé no processo de urbanização das cidades: “Em nossa prática, as árvores são templos”.


O pastor Joel falou do simbolismo dos textos bíblicos, ressaltando que “na tradição Cristã, a existência tem seu início no JARDIM”, e lembrou das imensas desigualdades sofridas pela maioria da população, excluídas por um sistema que só visa o lucro e enriquecimento de poucos. Por fim, Mãe Flavia trouxe o conceito de temporalidade, sublinhando que a existência humana tem muito mais do que 2019 anos e que o conhecimento e práticas dos povos tradicionais são ancestrais e desde sempre cuidaram da relação com a natureza e o meio ambiente. Mãe Flavia mencionou ainda a importância em resgatarmos a noção do sagrado feminino: “O feminino é criador e reprodutor de força”.


As pessoas presentes participaram ativamente das reflexões e, segundo seus depoimentos, saíram ainda mais comprometidos em atuarem, pessoal e conjuntamente, na defesa ambiental, como uma afirmação de sua fé e com base nos conhecimentos da ciência”. Moema Salgado, coordenadora da iniciativa Fé no Clima

Crédito das Fotos: Ivana Flores/ISER

#FénoClima #ISER

iCS - Instituto Clima e Sociedade 2020 | Todos os direitos reservados