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Especial C40 Mayors Summit

O encontro anual dos governos locais aconteceu entre os dias 9 e 11 de outubro em Copenhague, na Dinamarca, com recado de que crise climática precisa ser enfrentada com vontade política


Entre os dias 9 e 11 de outubro, Copenhague, capital da Dinamarca, foi sede do C40 Mayors Summit. O recado principal é claro: enfrentar a crise climática depende, necessariamente, de vontade política. Mais de 2 mil pessoas, entre prefeitos, assessores, secretários, ONGs, academias e empresários se reuniram para mostrar que os governos locais devem ser protagonistas nesse processo, uma vez que os centros urbanos são os locais onde os impactos das mudanças climáticas serão mais sentidos, justamente por concentrar a maior parte da população global e por agravar problemas já existentes.



Mais do que isso, esses efeitos são sobretudo socioeconômicos, uma vez que agrava desigualdades e afeta populações mais carentes. Todas as falas, incluindo de nomes famosos no tema, como Al Gore e Alexandra Cortez Ocario (jovem congressista norte-americana), foram unânimes ao afirmar que as políticas municipais devem ser inovadores, independente do posicionamento dos governos nacionais. Mais do que isso, uma certeza: as soluções tecnológicas e políticas já existem.


Alguns temas e setores mereceram destaque no Summit, como energia. Em Nova York, por exemplo, há programas de energia solar em escolas, estacionamentos, reservatórios, além de investimentos em linhas de transmissão, tendo como critério a conexão de geração de energias renováveis. Já em Copenhague, a meta ambiciosa de se tornar carbono neutra em 2025, com investimento em transporte público e ativo e geração de energia renovável, com a inauguração em outubro de uma UTE (Usina Termelétrica) movida a resíduo sólido urbano.



O transporte e a qualidade do ar também foram debatidos com atenção em duas mesas temáticas, uma delas com moderação da brasileira Clarisse Linke, diretora do ITDP Brasil.


Nela, o prefeito de Rotterdam, Ahmed Aboutaleb, mencionou alguns projetos que visam mudar o comportamento dos deslocamentos nas cidades – entre eles edifícios multifuncionais que integram escolas e serviços públicos básicos. A segunda mesa teve como highlight a apresentação de um projeto liderado pelo Google em parceria com a Universidade de Copenhague que instalou sensores de qualidade do ar nos carros que atualizam o Google Street View. É possível, desse modo, levantar estatísticas anuais de corredores com maior intensidade de poluentes.


O iCS foi representado por Kamyla Borges, coordenadora do projeto Kigali, e Marcel Martin, Coordenador do Portfólio de Transportes. Segundo eles, um outro ponto importante chamou a atenção: a diferença do discurso entre as prefeitas, que falaram como cuidadoras, e os prefeitos, que se posicionaram como gestores. A prefeita de New Orleans, LaToya Cantrell, detalhou um programa de adaptação às mudanças climáticas, inclusivo e participativo, enquanto a prefeita de Roma, Virginia Raggi, ressaltou que as cidades foram por muitos anos governadas por homens que as moldaram conforme suas próprias demandas – e, agora, isso precisa mudar, com pessoas que governem para todos.


As cidades brasileiras representadas foram Salvador, com seu prefeito ACM Neto, São Paulo, com o Secretário de Relações Internacionais, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, com a Secretária Municipal de Política Urbana e o Assessor de Relações Internacionais.

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