• iCS - Clima e Sociedade

O Brasil do Brazil Climate Action Hub

Brasil real, composto pelos mais diversos atores da sociedade civil, academia, governos e setor privado se encontraram no Brazil Climate Action Hub durante a COP 26


Não é possível tratar o Brasil no singular. Pelo menos não na COP26. Viu-se dois brasis, assim mesmo no plural, no pavilhão lotado da cidade escocesa. De um lado, o espaço “oficial”, do governo federal, alheio às opiniões, lançamentos e análises de cientistas e da sociedade civil. Do outro, o Brazil Climate Action Hub, o espaço de toda a sociedade, no sentido amplo: governadores, prefeitos, juízes, promotores, indígenas, quilombolas, membros de ONGs, acadêmicos e tantos outros marcaram presença neste espaço plural e de ativismo diplomático.


“É o ativismo da disputa pelo debate, da qualificação do debate. Criar um espaço como esse, onde a gente pode trazer essas pessoas e esse diálogo foi muito importante. Fico feliz que a gente, num sentido bem amplo, tenha contribuído para quebrar barreiras entre pessoas”, disse Ana Toni, diretora-executiva do Instituto Clima e Sociedade, um dos organizadores do hub, para o Estadão.


Outra reportagem do mesmo jornal, aliás, mostra como este foi um espaço de representação da sociedade como um todo. “O Brasil tem dois pavilhões na COP, o "oficial" e este da sociedade civil, muito mais movimentado – e frequentemente lotado. Quem não consegue entrar acompanha as mesas de debates através das paredes envidraçadas. De tempos em tempos o corredor entope, e seguranças escoceses aparecem para liberar o caminho. O pavilhão reflete a diversidade dos brasileiros que foram a Glasgow fora da delegação oficial”, retrata trecho do texto, que lembra ser o maior volume de jovens, empresários, populações tradicionais, representantes do agronegócio e movimento negro já presentes em uma conferência do clima desde que elas começaram.

E são mesmo muitos aqueles que estão ao lado da ciência. Por ali, passaram Sebastião Salgado e a ex-Primeira Ministra da Irlanda, Mary Robinson. Mas também jovens ativistas do movimento Coalizão Negra por Direitos, que junto com 250 entidades lançaram carta em defesa da titulação dos territórios quilombolas no Brasil, além de internacionalistas e cientistas, com debates do presente e do futuro do nosso país. Exemplos foram a projeção global da Iniciativa Clima e Desenvolvimento e a declaração política conjunta de grupos de investidores e gestores de fundos brasileiros para apoiar ações de baixo carbono e a favor do clima.


As transmissões ao vivo também foram inúmeras, com participantes direto de Glasgow e de outros cantos do planeta, conversando e propondo sobre finanças, energia, eficiência, Amazônia, preservação, políticas públicas, litigância climática, eletrificação de transportes, e tantos temas fundamentais para a discussão.


Vale lembrar que o Hub surgiu na COP25, em Madri, como um esforço da sociedade civil para preencher uma lacuna do governo federal, que pela primeira vez não teve um espaço brasileiro na conferência. Em Glasgow, ele não só foi mantido, como expandiu, se tornando o principal local de encontro, debates e proposições da sociedade.


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