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Na contramão do mundo, Brasil aumenta emissões em 9,5%

Atualizado: 11 de nov. de 2021

O desmatamento da Amazônia foi o principal responsável para a alta nos gases de efeito estufa no país, aponta SEEG


Enquanto o mundo fez despencar as emissões de gases do efeito estufa em quase 7%, devido à pandemia, o Brasil registrou em 2020 uma elevação de 9,5%, na comparação ao ano anterior. O desmatamento, em especial o da Amazônia, foi a principal causa do aumento, segundo a nona edição do SEEG (Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa), do Observatório do Clima (OC). É o maior montante de emissões desde 2006.


Todo ano o Observatório calcula quanto o País gerou de poluição climática. Como OC mostrou em seu estudo, com o aumento da emissão e a queda de 4,1% no PIB, o Brasil ficou mais pobre e poluiu mais.


De acordo com o SEEG, foram emitidas 2,16 bilhões de toneladas de gás carbônico equivalente (GtCO2e) no ano passado, contra 1,97 bilhão em 2019.


“A maior parte das emissões brasileiras vem do uso da terra. Então, a gente tem hoje 1 bilhão de toneladas que vem do desmatamento, das mudanças do uso da terra; 600 milhões que vêm da agropecuária e outros 600 milhões, de energia, transporte de resíduos, indústrias. Se zerar o desmatamento, 1 bilhão de toneladas é eliminado de cara”, explica Tasso Azevedo, coordenador do SEEG e do MapBiomas.


Tasso chama atenção também para outra variável importante. “Quando você para de desmatar, você tem a floresta regenerando e a própria absorção de carbono pela floresta. E isso dá hoje cerca de 600 milhões de toneladas. Então, se o desmatamento for parado, aquilo que a floresta absorve é suficiente, por exemplo, para compensar as emissões de toda a nossa agropecuária”.



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