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Da Amazônia para Belém: Cadeia de alimentos regenerativos

Projeto dos Institutos Fronteiras do Desenvolvimento e Regenera, com apoio do iCS, tenta aproximar consumidores da capital paraense dos produtores agroecológicos locais amazônicos


Neste começo de maio, pela primeira vez após dois anos de pandemia, os Institutos Fronteiras do Desenvolvimento e Regenera estiveram em Belém para uma série de reuniões presenciais no âmbito do projeto “Da Amazônia para Belém: Fomento a sistemas locais de alimentos regenerativos”. Ainda que existam centenas de produtores de alimentos agroecológicos no estado do Pará, a oferta desses produtos é tímida em Belém, capital do estado e uma das mais relevantes da Amazônia Legal, e muitas vezes perdem espaço para produtos que não têm origem na região, e sim no sudeste do Brasil. Fabrício Muriana, do Instituto Regenera, explica que existe uma oportunidade enorme de valorização dos produtos e da cultura locais, mas essa oferta ainda é reduzida. Com isso, embora exista grande oferta de farinhas, tapiocas, açaí e tantos outros na cidade, pouco se sabe de sua procedência, das pessoas e organizações envolvidas na cadeia de produção, distribuição e comercialização, ou a respeito do contexto produtivo e seus benefícios para a sociedade e para o meio ambiente.


“Para tentar solucionar ao menos parte deste problema, identificamos em Belém quem da cadeia de comercialização já está comprometido com o abastecimento de alimentos sem agrotóxicos e fomos conhecer a história dos produtores locais que acessam a capital”, explica Fabricio.

Somado à pesquisa no território, os institutos realizaram no primeiro trimestre de 2022 um ciclo de workshops em que foram cocriados, juntamente com atores locais, um conjunto de diretrizes que compõem uma tecnologia social voltada para a estruturação e fortalecimento de iniciativas de comércio justo e transparente desses produtos.


Deste trabalho, serão publicados dois guias: o primeiro, baseado na tradução dos valores regenerativos de cada alimento e do funcionamento da cadeia: de onde vêm, transparecimento dos valores recebidos pelo produtor, características do local de venda, informações que permitam ao público um maior conhecimento dos benefícios desses produtos e uma escolha melhor informada e mais consciente, entre outros. São seis dimensões que poderão servir de base para que qualquer pessoa, instituição ou empresa possa estabelecer um elo mais virtuoso entre produtores e consumidores locais. Este primeiro guia, aliás, também dialoga com gestores públicos, auxiliando no entendimento das fragilidades e potencialidades dos agricultores, por exemplo.


O segundo guia, por sua vez, terá um foco específico em comunicação. Durante as pesquisas, que envolveram a escuta de demandas das organizações participantes e a observação de boas práticas locais, nacionais e internacionais, notou-se a necessidade de formatar parâmetros para uma comunicação cotidiana, que inclui ouvir o consumidor e o produtor e ser capaz de traduzir, de forma objetiva e pedagógica, a história e a importância daquele alimento desde sua produção. A intenção é preencher uma lacuna das dificuldades de produtores e agentes de comercialização, que se dedicam integralmente a múltiplas atividades (desde o tempo necessário para a produção até as atividades de transporte e outras relacionadas à operação da comercialização), e muitas vezes têm poucos parâmetros ou recursos para comunicar da melhor maneira ao consumidor os atributos, benefícios e histórias por trás dos alimentos oferecidos.


Crédito: Reunião com a Presidente da Pará Orgânicos, Lena Monteiro

Crédito: Reunião com o Toró, Gastronomia Sustentável

Crédito: Reunião com as mulheres da Rede Bragantina

Crédito: Reunião com Amanda. Representante da APACC e da Rede Jirau

Crédito: Reunião com os Secretários Apolônio Brasileiro, de Economia, e Sérgio Brazão, de Meio Ambiente, da Prefeitura de Belém