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A COP acabou – e agora, o que começa?

Confira uma breve retrospectiva do que aconteceu na COP26, a atuação brasileira e a importância do Brazil Climate Action Hub como um espaço inclusivo e diverso da sociedade


Em novembro de 2021, o mundo se reuniu em Glasgow, na Escócia, para a 26ª Conferência Das Partes sobre Mudanças Climáticas. Do ponto de vista brasileiro, o pavilhão onde aconteceram as negociações mostrou dois países: o oficial, com pouco ou nenhum espaço de debate com a sociedade civil, e o Brazil Climate Action Hub, o setor que recebeu todos os tipos de Brasis, dos ribeirinhos aos grandes empresários, da população indígena aos governadores estaduais, da comunidade negra e diversa aos articulistas e membros do setor financeiro.


Veja, abaixo, breves highlights da COP:


1. Os países assinaram um Acordo e fecharam o livro de regras do Acordo de Paris, mas deixaram maior ambição para 2022. Glasgow também fracassou em assegurar financiamento consistente dos países ricos para os países em desenvolvimento. O texto final pela primeira vez fala em acelerar os esforços para “reduzir gradativamente” o carvão mineral. A expressão original, antes de a Índia reclamar, era “eliminar gradativamente”.


2. Ana Toni, diretora-executiva do iCS, resumiu a conferência: ““Esta COP não poderia ter sido apenas mais um “exercício diplomático”, esta deveria ter sido “A COP” para nos colocar na trajetória de 1,5 grau. Infelizmente ainda estamos longe dessa meta. É como o Márcio Astrini, do Observatório do Clima, tem falado - eu adoro essa frase dele: combater as mudanças climáticas e reduzir a emissão de carbono não é algo que acontece na negociação. Acontece na floresta, na cidade, nos locais diferentes. Não é assinando um papel que, como mágica, a emissão diminui”.


3. O Arayara apresentou relatório no Brazil Climate Action Hub com os passivos sociais e ambientais das termelétricas a carvão mineral no Sul do Brasil. O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, anunciou a elaboração de um Plano de Transição Energética do Estado. O iCS se comprometeu a apoiar a elaboração desse plano, que deve estar pronto até março de 2022.


4. A litigância climática teve destaque em três painéis no Hub, com debates sobre “Estratégias jurídicas para combater o desmatamento, crimes ambientais e violações a direitos humanos”; “Litigando a crise climática: tendências e novos caminhos a serem explorados na era pós-AR6”; e judicialização dos compromissos climáticos do setor privado.


5. Uma coletiva de imprensa marcou o lançamento internacional da iniciativa Clima e Desenvolvimento: Visões para o Brasil 2030, que aponta caminhos para uma meta climática mais ambiciosa do Brasil a partir de três apostas mais urgentes: precificação de carbono, controle do desmatamento e construção de uma economia de restauração florestal.


6. O movimento negro imprimiu uma agenda de destaque durante a COP. Uma das principais articulações foi o lançamento da carta “Para controle do aquecimento do planeta – desmatamento zero: titular as terras quilombolas é desmatamento zero”. Douglas Belchior, do Coalizão Negra por Direitos, disse assim ao Portal Geledés: “Debate sobre clima é debate sobre direitos humanos. Diz respeito à vida das pessoas que ocupam territórios e que são, junto com os territórios, vítimas dos interesses econômicos que sugam da natureza tudo o que ela tem de riqueza sem se importar em repor, assim como suga a vida das pessoas. Justiça climática diz respeito ao direito à vida”.


7. Mais de 140 países assinaram a Declaração sobre Florestas e Uso da Terra de Glasgow, incluindo o Brasil. No texto, as nações se comprometem a “trabalhar coletivamente para deter e reverter a perda florestal e a degradação da terra até 2030”.


8. Mais de 100 países, Brasil entre eles, assinaram acordo para reduzir em ao menos 30% as emissões de metano de 2020 até 2030, o que geraria uma diminuição de 0,2ºC de aquecimento. Caso o pacto seja cumprido, serão mudanças importantes para o setor agropecuário.