DESAFIOS DO CLIMA

Quer saber mais sobre o que fazemos? Clique e confira uma síntese de algumas das atuações do Instituto Clima e Sociedade:

Estimativa das emissões de CO2 por estados brasileiros em 2016

Panorama geral das emissões brasileiras

Em 2016, as emissões de gases de efeito-estuda (GEE) do Brasil chegaram a 2.2 gigatoneladas, o que representou uma mento de 9% em relação ao ano anterior. Este é o nível mais alto desde 2008 e a maior elevação vista desde 2004. Metade dessas emissões estão no setor de mudança do uso da terra, no qual o desmatamento é a principal fonte de emissão - seguido de agropecuária, energia, processos industriais, energia e resíduos. Isso torna o Brasil como o sétimo emissor global, se considerarmos a comunidade europeia como um grupo. Caso não consideremos, o nosso país cai, então, para a sexta posição. 

Os dados são da última edição da plataforma SEEG (Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa), lançada pelo Observatório do Clima no dia 26 de outubro de 2017. O crescimento é o segundo consecutivo, e ocorre em meio à pior recessão da história do Brasil. Em 2015 e 2016, a elevação acumulada das emissões foi de 12,3%, contra um tombo de 7,4 pontos no PIB (Produto Interno Bruto), que recuou 3,8% em 2015 e 3,6% em 2016. O Brasil se torna, assim, a única grande economia do mundo a aumentar a poluição sem gerar riqueza para sua sociedade.

Emissões de CO2e do setor de energia

Em 2014, o setor de energia foi responsável por mais de um terço das emissões de CO2 no Brasil. Quando observadas as emissões por diferentes atividades, o transporte lidera, com 46% (esse percentual era de 38% em 1990). A partir de 2009, houve forte crescimento das emissões desse setor, em especial no transporte de cargas e no transporte individual de passageiros. O consumo de gás natural também deu um salto, na esteira do aumento de geração elétrica a partir de térmicas devido à crise das hidrelétricas.

A elevação nas emissões em 2016 está diretamente relacionada à alta de 27% no desmatamento na Amazônia. As emissões por mudança de uso da terra cresceram 23% no ano passado, respondendo por 51% de todos os gases de efeito estufa que o Brasil lançou no ar.  Por outro lado, quase todos os outros setores da economia tiveram queda nas emissões. A mais expressiva foi no setor de energia, que viu um recuo de 7,3% – a maior baixa em um ano desde o início da série histórica, em 1970. O setor de processos industriais teve redução de 5,9%, e o de resíduos, 0,7%. As emissões da agropecuária subiram 1,7%.

E mais: a atividade agropecuária é, de longe, a principal responsável pelas emissões de gases de efeito estufa no país - ela respondeu por 74% das emissões nacionais em 2016, somando as emissões diretas da agropecuária (22%) e as emissões por mudança de uso da terra (51%). Se fosse um país, o agronegócio brasileiro seria o oitavo maior poluidor do planeta, com emissões brutas de 1,6 bilhão de toneladas (acima do Japão, com 1,3 bilhão). Entre 1990 e 2016, o setor de uso da terra no Brasil emitiu mais de 50 bilhões de toneladas de CO2e, o equivalente a um ano de emissões mundiais.

“O descontrole do desmatamento, em especial na Amazônia, nos levou a emitir 218 milhões de toneladas de CO2 a mais em 2016 do que em 2015. É mais do que duas vezes o que a Bélgica emite por ano”, disse Ane Alencar, pesquisadora do Ipam (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia) e responsável pelos cálculos de emissões por mudança de uso da terra no SEEG. “Isso é dramático, porque o desmatamento é em sua maior parte ilegal e não se reflete no PIB do país.”

Com efeito, a chamada intensidade de carbono da economia brasileira, ou seja, o total emitido por unidade de PIB gerada, cresceu 13% – na contramão da maior parte das grandes economias, em que a intensidade de carbono vem declinando. Em 2016, o Brasil emitiu 1,1 tCO2e para cada milhão de dólares de PIB (MUSD), enquanto a média global é de 0,7 tCO2e/MUSD. Para uma economia de baixo carbono em meados do século, estima-se que este valor deveria ser inferior a 0,1.

* Este texto foi é de autoria do jornalista Cláudio Angelo, coordenador de comunicação do Observatório do Clima.

EMISSÕES DE GEE DO SETOR DE ENERGIA POR SEGMENTO DE ATIVIDADE 1990-2014

Emissões de GEE de processos industriais

Os segmentos que mais contribuem para as emissões de processos industriais são a siderurgia (produção de ferro-gusa e aço) e a produção de cimento. Juntos, esses setores representaram 50% das emissões da indústria em 2016.

EMISSÕES DE GEE DO SETOR DE ENERGIA POR SEGMENTO DE ATIVIDADE 1990-2016

Emissões de GEE de resíduos

Os resíduos são responsáveis pela menor parcela de emissões no Brasil, com 92 milhões de tCO2e em 2016. Foi um crescimento de mais de 250% desde 1990. O ritmo de crescimento caiu entre 2015 e 2016, talvez pela queda no investimento em mais tratamento de resíduos no país. Porém, como a coleta e tratamento de esgoto e resíduos sólidos ainda é baixa no Brasil, provavelmente a trajetória de emissões neste setor continuará aumentando nos próximos anos.

Emissões de GEE por estados

 

Observando as emissões alocadas em 2016, Pará e Mato Grosso se destacam como os maiores emissores do Brasil, devido ao desmatamento e à atividade pecuária. Logo em seguida vêm São Paulo e Minas Gerais, onde predominam emissões do setor de energia (especialmente o transporte) e, no caso mineiro, o gado de leite.

Sou um parágrafo. Clique aqui para adicionar e editar seu próprio texto. É fácil.

SEmemlique aqui para adicionar e editar seu próprio texto. É fácil.

Emissões por estado derivadas de mudança no uso da terra

Emissões por estado derivadas do setor de energia

Emissões dos transportes

A opção brasileira por transporte sobre rodas levou a um crescimento das emissões saídas dos escapamentos de carros, ônibus e caminhões. A queima de diesel é a maior fonte de carbono dos transportes. O combustível fóssil subsidiado é o grande vilão do clima nos transportes. As emissões de diesel também vem crescendo mais rápido do que as de gasolina.

Emissões brasileiras no contexto global

A evolução das emissões brasileiras de GEE em relação à dinâmica das emissões globais pode ser dividida em quatro fases:

  • Entre 1990 e 1997 as emissões totais no Brasil cresceram num ritmo maior que as emissões globais;

  • Entre 1998 e 2004, as emissões cresceram num ritmo similar ao das emissões globais;

  • Após 2005, apresentam uma forte redução, enquanto crescem no resto do mundo ;

  • Após 2009, as emissões pararam de cair e têm se mantido relativamente estáveis, no entorno de 1,5 Gt CO2e.

MUT= Mudança de Uso da Terra
A queda da última década da emissão per capita brasileira reflete o sucesso da política de combate ao desmatamento na Amazônia

Emissões de GEE no Brasil e no mundo

A participação do Brasil nas emissões globais também variou bastante no período analisado:

 

  • Em 1990 o país detinha 4,6% das emissões globais

  • Em 1997 chegou a 7%

  • Em 2012 caiu para cerca de 3%

Políticas Climáticas no Brasil

A Política Nacional sobre a Mudança do Clima (PNMC) foi instituída no Brasil em 2009 por meio da Lei nº 12.187/2009, que oficializa o compromisso voluntário do país de reduzir as emissões de GEE entre 36,1% e 38,9% com base em projeções até 2020 junto à Convenção-Quadro da ONU sobre Mudança do Clima.

 

Segundo o Decreto nº 7.390/2010, que regulamenta a Política Nacional sobre Mudança do Clima, a linha de base de emissões de gases de efeito estufa para 2020 foi estimada em 3,236 GtCO2-eq. Assim, a redução absoluta correspondente ficou estabelecida entre 1,168 GtCO2-eq e 1,259 GtCO2-eq, 36,1% e 38,9% de redução de emissões, respectivamente. Os instrumentos para sua execução são, entre outros: o Plano Nacional sobre Mudança do Clima, o Fundo Nacional sobre Mudança do Clima e a Comunicação do Brasil à Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima.

A governança da PNMC cabe ao Comitê Interministerial sobre Mudança do Clima (CIM) e seu Grupo Executivo (GEx), instituídos pelo Decreto presidencial n° 6.263/2007.

Fonte: www.mma.gov.br

Houve a promessa de revisão do Plano Nacional sobre Mudança do Clima em 2015. Até agora, no entanto, essa revisão não aconteceu.

Para o iCS a readequação de governança e implementação de um Plano Clima efetivo são essenciais para o país.

Cenários de emissões até 2030

Se nenhuma medida adicional de mitigação for adotada, prevê-se um aumento das emissões a partir de 2020, principalmente em razão do ritmo de crescimento econômico com base na queima de combustíveis fósseis e da atividade agropecuária. Esse cenário é baseado no plano PNE 2050 da Política Nacional sobre a Mudança do Clima (PNMC).

Fonte: IES-Brasil (projeto Implicações Econômicas e Sociais, coordenado pelo Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas).

O Brasil pode atingir a meta justa e ambiciosa de redução 1 bilhão de toneladas de CO2e se focar ações em três setores-chave da economia: agricultura, desmatamento e energia. Juntas, elas podem efetuar uma redução de 35% nas emissões de gases de efeito estufa em relação aos níveis de 2010.

Fonte: Observatório do Clima

As Contribuições Nacionalmente Determinadas Pretendidas do Brasil (INDCs, na sigla em inglês), declaram a meta de reduzir as emissões de GEE em 37% até 2025 e uma contribuição indicativa de 43% até 2030, com base no ano de 2005.

Fonte: Climate Action Tracker

Os Desafios para o Brasil

O Brasil, sendo um dos maiores emissores mundiais, tem as condições para atingir a neutralidade de emissões de carbono em 2050. Primeiro, as emissões nacionais mostram que o desmatamento, a agricultura e o setor de energia são responsáveis por entorno de um terço das emissões totais cada um em 2014. O desmatamento na Amazônia ainda é grande, de 5 mil m² ao ano, e poderia diminuir ao redor de 2 mil m² se o Novo Código Florestal for entrasse em vigor de fato.

No setor da agricultura, a causa principal de emissões de GEE é a pecuária bovina ainda com 1 cabeça por hectare, em sua maioria, usando pastagens naturais.

Porém, o evidente crescimento de emissões de GEE causado pelo setor da energia é estrutural, como resultado das escolhas por determinadas tecnologias e recursos. Considerando o tamanho e a diversidade do Brasil, existem abundantes recursos naturais renováveis (incluindo sol, vento, terra e floresta) a desenvolver. Cada recurso possui pelo menos uma tecnologia disponível, como alternativa para abastecer a demanda crescente de energia da sociedade e economia brasileira com baixa, ou até zero, emissão de CO2.

Nosso desafio é assegurar que essas oportunidades sejam implementadas efetivamente.

iCS - Instituto Clima e Sociedade 2019 | Todos os direitos reservados